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PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE LETRAS

PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE LETRAS

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

 

 



                                                          

Sem conhecer a linguagem não há como conhecer o homem.

                       Confúcio, Analetos, XX, III, 3

 

I. HISTÓRICO

 

Historia... testis temporum, lux ueritatis, uita memoriae, magistra uitae, nuntia uetustatis.

Cícero, De oratore

 

            O Curso de Letras da Universidade de São Paulo foi o primeiro curso superior de Letras no Brasil, criado juntamente com a Universidade de São Paulo e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras pelo Decreto 6.283, de 25 de janeiro de 1934. Antes disso, a formação em Letras estava restrita aos colégios e aos preparatórios para o ingresso nas Escolas Profissionalizantes, de modo especial, nos preparatórios para ingresso na Faculdade de Direito.

            Os objetivos gerais da Faculdade de Filosofia eram a formação de pessoal dedicado ao ensino e à pesquisa nas áreas de filosofia, ciências e letras e a elevação do nível do ensino secundário, normal e superior, bem como a ilustração da sociedade em geral. Como diz o Decreto acima mencionado, as principais finalidades da Faculdade de Filosofia eram:

a)      preparar trabalhadores intelectuais para o exercício das altas atividades culturais de ordem desinteressada ou técnica;

b)      preparar candidatos ao magistério do ensino secundário, normal ou superior;

c)      realizar pesquisas nos vários domínios da cultura que constituem o objeto de seu ensino.

A chamada secção de Letras era organizada em dois cursos: Letras Clássicas e Português e Letras Estrangeiras. O primeiro compreendia as seguintes cadeiras: Filologia Grega e Latina; Filologia Portuguesa; Literatura Luso-Brasileira; Literatura Grega e Literatura Latina; o segundo, as cadeiras de Língua e Literatura Francesa e de Língua e Literatura Italiana.

Em 1939, a Faculdade de Filosofia teve de adaptar-se ao padrão da Faculdade Nacional de Filosofia, criada no Rio de Janeiro, pelo Decreto Federal nº 1.190, de 4 de abril de 1939. Na secção de Letras, constituem-se os Cursos de Letras Clássicas, Letras Neolatinas e Letras Anglo-Germânicas, padrão que se manterá até 1962, quando, com base no parecer 283/62, do Conselheiro Valnir Chagas, do CFE, aprovado em 19 de outubro de 1962, reorganizam-se os Cursos de Letras no país. Só em 1940 começam a funcionar as cadeiras de Língua e Literatura Espanhola, Língua e Literatura Inglesa e Língua e Literatura Alemã, embora seu funcionamento já estivesse previsto no Decreto de criação da Faculdade de Filosofia. Cria-se a cadeira de Filologia Românica. As cadeiras que tinham a cargo esses três cursos eram Língua e Literatura Latina, Língua e Literatura Grega, Filologia e Língua Portuguesa, Literatura Portuguesa, Literatura Brasileira, Filologia Românica, Língua e Literatura Francesa, Língua e Literatura Italiana, Língua Espanhola e Literatura Espanhola e Hispano-Americana, Língua Inglesa e Literatura Inglesa e Anglo-Americana, Língua e Literatura Alemã.

 

Orientação pedagógica das cadeiras ao longo dos anos

 

É preciso que se faça agora um breve retrospecto das orientações das cadeiras ao longo desses anos em que o Curso de Letras estava dividido em Letras Clássicas e Português e Letras Estrangeiras ou Letras Clássicas, Letras Neolatinas e Letras Anglo-Germânicas.

            Na cátedra de Filologia e Língua Portuguesa duas diretrizes orientam sua atuação: o predomínio, como padrão, da variante europeia da língua portuguesa e a atribuição de um papel central aos estudos filológicos, ou seja, uma abordagem predominantemente histórica no estudo da língua. A Literatura Luso-Brasileira logo se segmenta em dois cursos: Literatura Portuguesa e Literatura Brasileira. As duas disciplinas, inicialmente, voltaram-se para o estudo dos “monumentos literários”, numa perspectiva diacrônica.

A cadeira de Filologia Grega e Latina estava orientada para os estudos filológicos e histórico-comparativos (gramática histórica, lexicografia e sintaxe histórica). Em 1938, houve a separação das cadeiras de Grego e de Latim. Os estudos de Letras Clássicas orientaram-se para os campos da filologia, da gramática histórica e comparada e da glotologia. Só mais tarde os cursos orientaram-se para o aprendizado da língua, acompanhado da leitura de textos e de exercícios de tradução e versão.

Como já se disse, iniciaram suas atividades já no ano de 1935 as Cadeiras de Língua e Literatura Francesa e Italiana. O curso de Italiano nasce sob o signo poético, com o engajamento acadêmico, desde sua fundação e por um período de 6 ou 7 anos, de um dos maiores poetas da Literatura Italiana e do século XX, Giuseppe Ungaretti. A cadeira de Língua e Literatura Francesa irá contar, no decorrer de sua história, com a colaboração de renomado intelectual europeu, o sociólogo Roger Bastide, em 1949. Ambos, como exemplos relevantes da universalidade do espírito, representaram um contato vivo e privilegiado entre as culturas europeia e brasileira, deixando nesse convívio iniciante uma marca de fecunda relação, sem predomínios ou dependências.

O estudo das outras línguas passou a ser oferecido, de fato, a partir de 1940. Não seria errôneo afirmar que o curso de Letras, no seu início, estava muito mais voltado para o mundo da reflexão poética do que para o conhecimento pragmático da língua estrangeira. Nas diversas cadeiras, tanto no âmbito das Letras Neolatinas como no das Anglo-Germânicas dava-se ênfase especial aos estudos de literatura em detrimento aos estudos de língua. Essa orientação nitidamente literária levava a um estudo de textos com abordagens estilísticas e filológicas. A língua era ministrada indiretamente por meio da análise dos textos literários.

 

Reformas em Letras

 

Em 1962, o Parecer do CFE acima citado alterou radicalmente a organização dos cursos de Letras no Brasil. De um lado, estabeleceu que os estudantes poderiam bacharelar-se ou licenciar-se em Português e respectivas literaturas; numa Língua Estrangeira Clássica ou Moderna e respectivas literaturas ou em Português e respectivas literaturas e numa Língua Estrangeira Clássica ou Moderna e respectivas literaturas; de outro, criou o chamado Currículo Mínimo Federal, composto de cinco matérias obrigatórias (Língua Portuguesa, Língua Latina, Literatura Brasileira, Literatura Portuguesa e Linguística) e mais três escolhidas dentro de um elenco (na USP, escolheu-se Teoria Literária para todas as habilitações e Cultura Brasileira, dada sob a forma das disciplinas Língua Tupi e Toponímia, e Filologia Românica para a habilitação em Português, e Língua Estrangeira Clássica ou Moderna e respectivas literaturas para as demais habilitações). O espírito do parecer era estabelecer a existência de um Curso de Letras com diferentes habilitações. Na USP, criaram-se, então as habilitações em Português, Latim, Grego, Inglês, Francês, Espanhol, Italiano, Alemão, Sânscrito, Armênio, Chinês, Hebraico, Japonês e Russo. Em 1970, cria-se o Bacharelado em Linguística, que passaria a funcionar a partir de 1972.

A origem dos chamados cursos de Letras Orientais remonta aos anos 40 quando foram criados alguns cursos livres como os de Russo, Hebraico e Árabe. Duas décadas mais tarde, é criada a Seção de Estudos Orientais, ligada inicialmente ao Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, pelo Decreto Governamental nº 40.784 de 18/9/1962. Foi dado início, então, aos cursos de Bacharelado das Áreas de Árabe, Armênio, Hebraico, Japonês e Russo. Em 1968 agregaram-se a esta Seção as áreas de Chinês e de Sânscrito.

A partir da reforma universitária de 1970, a antiga Seção de Estudos Orientais passou para o âmbito do Curso de Letras, com a criação do Departamento de Linguística e Línguas Orientais, do qual ainda faziam parte áreas de Teoria Literária e Literatura Comparada, Tupi e Toponímia. Com a criação do Departamento de Linguística, em 1986, este Departamento passou a se denominar Departamento de Letras Orientais. Nos anos imediatamente subsequentes, foram realocadas para outros Departamentos as áreas de Tupi e Toponímia, de Sânscrito e de Teoria Literária e Literatura Comparada, permanecendo neste Departamento somente os bacharelados de Árabe, Armênio, Chinês, Hebraico, Japonês e Russo.

 É a dimensão que se reporta aos processos históricos de formação das línguas naturais, que assinala o início da Linguística na Universidade de São Paulo. Em 1940, junto à cadeira de Filologia Românica, cria-se, por iniciativa do Professor Theodoro Henrique Maurer Junior, a cadeira de Linguística Indo-Europeia. Em 1961, a Congregação autoriza a criação de um curso autônomo de Linguística. No ano seguinte, é criada a disciplina Introdução à Linguística, que vai passar a integrar o CMF.

A disciplina Teoria da Literatura começa a integrar o currículo de Letras em 1961. Sua criação segue o mesmo espírito da criação da disciplina Introdução à Linguística. Era preciso que os futuros bachareis tivessem uma formação teórica mais sólida e mais articulada com a finalidade de prosseguir nos estudos linguísticos e literários. Em 1962, passou a chamar-se Teoria Literária e Literatura Comparada.

A cadeira de Etnografia Brasileira e Línguas Tupi-Guarani foi criada em 1935 e pertencia à chamada Sub-secção de História e Geografia. Na década de 60, a cadeira de Língua Indígena Brasileira passa para o Curso de Letras. O antigo conteúdo programático é desdobrado em duas disciplinas autônomas, Língua Tupi e Toponímia. A Toponímia tinha uma dupla orientação: de um lado, o ensino dos princípios teóricos gerais da onomástica; de outro, o estudo etimológico dos topônimos indígenas, cuja frequência, no léxico do Português, atingiu índices expressivos nos mais variados campos semânticos (por exemplo, a zoonímia, a fitonímia, a hidronímia, a geomorfonímia, a ergonímia).

Na década de 70, introduziram-se no Curso as disciplinas de Literaturas Africanas de Língua Oficial Portuguesa, no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. Desde então, e progressivamente, houve expansão de tais disciplinas, até que a promulgação da Lei 10.639/03 veio reafirmar nacionalmente o reconhecimento dessas literaturas e garantir aos estudantes o acesso a parte significativa de nossa formação histórico-cultural.

Criado em 1978, o Curso de Tradução funcionou por dois anos como modalidade da graduação em Letras, oferecendo aos estudantes a opção de cursarem, no período vespertino, outra habilitação além do bacharelado e da licenciatura. A partir de 1981, o Curso passou de modalidade da Graduação a curso extracurricular (primeiramente com uma carga horária de 1240 horas, reduzidas mais tarde para 720), e assim funcionou até 1992, quando um grupo de professores formado por representantes de todas as Áreas do Departamento de Letras Modernas (DLM), valendo-se de uma legislação em vigor na Universidade e convictos de que o Curso deveria figurar no currículo da Universidade, decidiu transformá-lo em Curso de Especialização de Longa Duração (720 horas), ou seja, num Curso de Pós-Graduação lato sensu. Nesse formato, o Curso funcionou, gratuitamente, até dezembro de 2004, ou seja, para os inscritos até essa data, que terminaram o curso em dezembro de 2006.

A mais recente reforma no curso de Letras ocorreu a partir de 2008, com a implantação do novo formato da licenciatura. As mudanças atenderam à necessidade de adequação da Licenciatura em Letras ao Programa de Formação de Professores da USP, concebido como resposta da Universidade às Diretrizes Nacionais para as Licenciaturas definidas pelo Ministério da Educação (Lei 9304/96, que definiu as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e Resoluções CNE – nº 1 e 2/2002, que instituíram as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica). Como resultado da reforma, o curso de Letras passou a oferecer a disciplina obrigatória “Atividades de Estágio” para os licenciandos, bem como um rol de disciplinas eletivas voltadas integralmente para a formação de professores.

 

Novas orientações pedagógicas

 

Sob o influxo da Linguística e da Teoria Literária, mudam as orientações dos cursos.

Os cursos de Língua Portuguesa partem do estudo do texto (quanto aos aspectos de sua produção, recepção e circulação, aí incluída sua filiação aos gêneros discursivos) como objeto primeiro de análise, passam pela morfossintaxe e pela estílistica, chegando aos processos da língua falada, sem abandonar o estudo diacrônico da língua e a iniciação à filologia, que constituíam a orientação anterior. A Filologia, hoje,  concentra-se na edição de textos, com  o objetivo de pesquisar e editar a língua escrita, para constituir corpora em português, levando em conta os aspectos sincrônicos e diacrônicos, linguísticos e situacionais de cada texto.

A área de Filologia Românica dedica-se aos estudos de línguas românicas, desde o seu surgimento no latim vulgar até os dias atuais, incluindo os episódios culturais que as cercam. O estudo das línguas românicas no Curso faz-se diacrônica e sincronicamente.

As Línguas Clássicas voltaram-se para a aquisição das estruturas linguísticas com vistas à leitura dos clássicos. O estudo da formação das Línguas Clássicas fica reservado à pós-graduação.   

 As Línguas Estrangeiras Modernas e Orientais voltaram-se ao estudo sincrônico sistemático das línguas com métodos baseados na Linguística.

As Literaturas abandonaram a abordagem periodista e passaram a ocupar-se com o estudo das diferentes organizações discursivas e textuais. Além disso, introduz-se o estudo de autores das ex-colônias. Destaca-se nesse caso a introdução do estudo das Literaturas Africanas de expressão portuguesa e da Literatura de expressão francesa dos antigos domínios coloniais. Nas Literaturas Estrangeiras, paralelamente ao estudo dos autores canônicos, introduz-se o estudo de autores modernos ou contemporâneos, com textos mais acessíveis, para serem lidos no original por alunos não falantes nativos. As disciplinas de Teoria Literária, Literatura Comparada e Correntes Críticas recuperam e aprofundam os debates modernos e contemporâneos sobre os vários âmbitos da experiência literária.

São setenta e cinco anos de ensino da Letras, setenta e cinco anos de crises (no sentido etimológico da palavra), setenta e cinco anos de mudanças, setenta e cinco anos de realizações, setenta e cinco anos de pioneirismo, setenta e cinco anos de busca de qualidade, setenta e cinco anos de História.


II – A CONCEPÇÃO ATUAL DO CURSO DE LETRAS

 

                                                ... Le cose tutte quante

                                   Hann’ordine tra loro; e questo è forma

                                   Che l’universo a Dio fa simigliante.

                                                Dante, Paradiso, I, vv. 103-105

           

Lucien Goldmann, em texto de 1967, intitulado Possibilidades de ação cultural através dos mass-media, faz uma sofisticada análise do papel dos meios de comunicação de massas (rádio, televisão, quadrinhos, etc.) na sociedade capitalista de seu tempo. Não partilha do pessimismo radical da Escola de Frankfurt, mas também não poderia ser considerado um integrado no sentido que Eco deu a esse termo. Defende ele a ideia de que o excesso de informação desorganiza e enfraquece a compreensão. Se era verdade, na década de 60, que a quantidade enorme de informações estava desorganizando a compreensão, muito mais verdadeiro o é no século XXI, quando o acesso à informação atinge patamares inimagináveis. A escola deveria, portanto, ter como objetivo primordial não o fornecimento de informações, mas a organização de sua compreensão. Assim, o processo educacional deveria ser fundamentalmente formativo e não só informativo.

            O processo informativo prevalece no ensino brasileiro, da pré-escola ao ensino secundário, e encontra seu coroamento nos cursinhos pré-vestibulares. Quais as características desse processo? Ênfase na reprodução do já sabido, memorização temporária de conhecimentos, sem maior significado, uma vez que não se dá relevo à compreensão.

            No ensino de Português nos níveis fundamental e médio, por exemplo, o processo informativo caracteriza-se pelo predomínio do ensino da metalinguagem sobre o da linguagem (por exemplo, os alunos aprendem análise sintática para desmontar períodos e classificar orações e não para montar períodos bem articulados); pelo estudo das categorias linguísticas sem compreensão de seu papel na produção de efeitos de sentido (por exemplo, não se estudam os modos verbais para perceber os diferentes efeitos de sentido em frases como espero um carro que me leva para casa e espero um carro que me leve para casa); pela ausência de ensino sistemático dos mecanismos de produção e interpretação dos textos (por exemplo, não se sabe como achar adequadamente o tema de um texto, não se estudam os mecanismos de coerência e de coesão textuais). Depois de 11 anos de ensino de Português, o aluno não é capaz de produzir um texto adequadamente estruturado e tem dificuldade de compreender o que lê. Isso é muito grave, quando se pensa que o domínio da língua é uma das habilidades centrais na formação de qualquer profissional de nível superior e particularmente na formação do pesquisador.

            O ensino de graduação em Letras não pode seguir esses mesmos princípios. O estudante deve aprender a compreender os fenômenos e não a memorizar elementos cujo alcance e significado dentro de um determinado domínio do conhecimento desconhece. Não se está negando a importância das informações, mas se está mostrando que sua aquisição deve estar direcionada para a compreensão. O professor não é mais o depositário exclusivo da informação a ser apreendida pelo aluno, que, assim, deixa de ser um passivo receptor de conteúdos. A renovação tecnológica acelerada e a velocidade de produção e circulação de informações levam a pensar que, no momento, a educação deve produzir no aluno uma capacidade de continuar aprendendo. Não se trata mais de acumular informações, porque elas estão disponíveis a quase qualquer um, mas sim de desenvolver-se individualmente, atingindo a maturidade necessária para operar com a abundância de conteúdos de forma crítica e responsável.

            O Curso de Letras precisa ser pensado dentro desse espírito de que a graduação deve ser prioritariamente formativa e não simplesmente informativa. Comecemos por mostrar o que não deveria ser um Curso de Letras: a) não é um curso que vise, exclusiva e prioritariamente, ao aprendizado da norma culta da língua, em sua modalidade escrita, nem ao aprendizado de compreensão de textos; b) não é um curso que vise, exclusiva ou principalmente, à aquisição de proficiência em línguas estrangeiras; c) não é um curso destinado a promover a memorização de uma galeria de autores e obras literárias. Evidentemente, essa é uma concepção ideal de um Curso de Letras, que deverá ser adaptada à realidade educacional brasileira, como se mostrará no item V.

            Um curso superior de Letras não poderia ter a finalidade de levar o aluno a aprender a ler e a escrever, porque essa é (ou deveria ser) a finalidade do ensino de Língua Portuguesa nos níveis fundamental e médio. Esses níveis de ensino têm a finalidade precípua de tornar o aluno um produtor de textos competente e um leitor eficiente. Todos os que saem desses níveis de ensino devem escrever com correção, com clareza, com progressão, com coerência, com coesão, etc. Por conseguinte, a menos que não tenhamos qualquer diferença entre os distintos níveis de ensino, transformar os objetivos do ensino de Português nos níveis fundamental e médio nas finalidades do ensino superior de Letras é tornar este nível, na melhor das hipóteses, um curso colegial. Não se trata, naturalmente, de fazer vistas grossas ao que ocorre fora do ensino superior. Trata-se apenas de não permitir que, internamente, o enfrentamento do problema reduza o curso unicamente à suplência da educação básica. No curso de Letras, a reflexão sobre o que ocorre na educação básica deve, pois, situar e propor soluções para problemas detectados no ensino de língua materna nos níveis fundamental e médio, mas essa preocupação não deve significar que o curso de Letras se assuma, exclusivamente, como suplência no que diz respeito à formação básica de seu aluno. Se, por outro lado, um curso de Letras tornar-se um curso de línguas estrangeiras ou de redação em português não se distinguirá de qualquer curso livre de línguas ou de um curso de redação. Nesses casos todos, não será necessária a existência de cursos superiores de Letras. A questão central é que um Curso de Letras é diferente de um curso de línguas estrangeiras e é diverso dos cursos dos níveis fundamental e médio. O domínio adequado da norma culta, em sua modalidade escrita, e da língua estrangeira em que o aluno se formará deveria ser pré-requisito indispensável para começar um curso superior de Letras.

             Um curso de Letras é o lugar onde se aprende a refletir sobre os fatos linguísticos e literários, analisando-os, descrevendo-os e explicando-os. A análise, a descrição e a explicação do fato linguístico e literário não podem ser feitas de maneira empírica, mas devem pressupor reflexão crítica bem fundamentada teoricamente.

            Todos os estudiosos da linguagem humana sabem que há uma distinção entre os estudos linguísticos e literários e as demais ciências, na medida em que seu objeto, a linguagem, em todos os seus níveis de formalização, só pode ser analisado, descrito e explicado, usando-se a própria linguagem. Assim, há dois níveis de linguagem: a linguagem-objeto, que é o objeto da análise, e a metalinguagem, que é a "ferramenta da análise". Enquanto o ensino de Português, nos níveis fundamental e médio, visa, precipuamente, ao domínio da linguagem-objeto, um Curso de Letras tem por objetivo prioritário o nível da reflexão, descrição e explicação dos fatos da linguagem, ou seja, o nível metalinguístico.

            Um Curso de Letras tem dois módulos, que se delinearam claramente, ao longo da história da constituição dos estudos da linguagem: a) um tem por objeto o estudo dos mecanismos da linguagem humana por meio do exame das diferentes línguas faladas pelo homem; b) o outro tem por finalidade a compreensão de um fato linguístico singular, que é a literatura. Embora claramente distintos, esses dois módulos mantêm relações muito estreitas. De um lado, um literato não pode voltar as costas para os estudos linguísticos, porque a literatura é um fato de linguagem; de outro, não pode o linguista ignorar a literatura, porque a literatura é a arte que se expressa pela palavra e, por isso mesmo, como diz Hegel, é a mais livre das artes, pois não depende de nenhum material e seu campo é o mais vasto: à literatura interessa tudo o que interessar ao espírito humano; é a literatura que trabalha a língua em todas as suas possibilidades e nela condensam-se as maneiras de ver, de pensar e de sentir de uma dada formação social numa determinada época. A literatura é a súmula de toda a produção do espírito humano ao longo da História. Já lembrava o grande linguista Roman Jakobson em texto antológico:

 

            Esta minha tentativa de reivindicar para a Linguística o direito e o dever de empreender a investigação da arte verbal em toda a sua amplitude e em todos os seus aspectos conclui com a mesma máxima que resumia meu informe à conferência que se realizou em 1953 aqui na Universidade de Indiana: Linguista sum; linguistici nihil me alienum puto. Se o poeta Ranson estiver certo (e o está) em dizer que "a poesia é uma espécie de linguagem", o linguista, cujo campo abrange qualquer espécie de lin­guagem, pode e deve incluir a poesia no âmbito de seus estudos. A presente confe­rência demonstrou que o tempo em que os linguistas, tanto quanto os historiadores literários, eludiam as questões referentes à estrutura poética ficou, felizmente, para trás. Em verdade, conforme escreveu Hollander, "parece não haver razão para a tentativa de apartar os problemas literários da Linguística geral". Se existem alguns críticos que ainda duvidam da competência da Linguística para abarcar o campo da Poética tenho para mim que a incompetência poética de alguns linguistas intolerantes tenha sido tomada por uma incapacidade da própria ciência linguística. Todos nós que aqui estamos, todavia, compreendemos definitivamente que um linguista surdo à função poética da linguagem e um especialista de literatura indiferente aos problemas linguísticos são, um e outro, flagrantes anacronismos. (Linguística e comunicação. São Paulo, Cultrix/EDUSP, 1969, p. 161-2)

 

            Esses dois módulos centram-se em duas disciplinas que, num currículo orgânico, têm a finalidade de fornecer o arcabouço teórico para o estudo das diferentes línguas e literaturas: a Linguística e a Teoria da Literatura. Assim, o primeiro módulo organizar-se-ia com Linguística e a(s) língua(s) em que o aluno vai formar-se (deve-se deixar claro ainda que, como um dos componentes, principalmente do estudo de Língua Portuguesa, e sua evolução ao longo da História, é necessário que, nos currículos de Língua Portuguesa, se estude também a Língua Latina; mais adiante discutiremos a questão do estudo da evolução das línguas estrangeiras). O segundo módulo conteria Teoria Literária e a(s) literatura(s) em que o estudante faz seu bacharelado.

            Finalmente, é preciso ter em mente que não se podem considerar apenas as atividades de pesquisa como atividades de criação e de inovação e as de ensino como de reprodução. Marilena Chauí nota que o problema da relação entre ensino e pesquisa “foi inventado com a escolarização da graduação, e mesmo da pós-graduação, ou seja, com a transformação do ensino num conjunto de técnicas de transmissão de informações e conhecimentos. Não permitindo o surgimento de sujeitos de conhecimento, não propiciando o aparecimento de pesquisadores a partir do próprio ensino, não fazendo da docência o modo fundamental de trabalhar academicamente, evidentemente cria-se o problema da relação entre ensino e pesquisa". A questão é, portanto, fazer do ensino o lugar da pesquisa, levando os alunos a tornarem-se sujeitos do conhecimento, a buscarem informações, iniciando-os aos clássicos, aos problemas e às inovações da área; introduzindo-os ao estilo e às técnicas de trabalho próprias da área.

Insistiu-se no fato de que os cursos devem ser formativos e não apenas informativos. Somente numa concepção de um curso de caráter informativo se pode pensar na possibilidade de ensinar tudo, por exemplo, a respeito da morfologia e da sintaxe de uma língua. Num curso baseado numa concepção formativa, é necessário treinar a sensibilidade do aluno para o fato linguístico e literário. Assim, o aluno precisa aprender a observar o fato linguístico e literário, a detectar um problema a ser analisado, descrito ou explicado; a formular hipóteses descritivas ou explicativas; a dialogar com a fortuna crítica; a procurar os meios para resolver o problema enunciado; a fundamentar um juízo crítico independente. Em síntese, o que se quer é uma atitude investigativa e crítica diante da língua e da literatura. Para isso, o estudante necessita ser introduzido em teorias linguísticas e literárias e ser levado a um trabalho de análise, descrição ou explicação dos fatos, bem como de interpretação das obras literárias.

 

 


 

III. OBJETIVOS DO CURSO DE LETRAS

 

                                   Il fine giustifica i mezzi.

                                               Maquiavel

                                   Os fins determinam os meios.

                                               Kant

 

            Num projeto pedagógico, os meios são determinados pelos fins. Se isso não acontecer, temos um projeto inorgânico, que marcha aleatoriamente, sem que se tenha nenhuma visão do significado das ações.

            O Bacharelado em Letras visa a proporcionar ao aluno um conhecimento aprofundado dos diferentes aspectos da linguagem humana, passível de aplicação em inúmeros campos de atividade. Isso significa:

 

a)      compreender o funcionamento da linguagem humana;

b)      compreender a heterogeneidade constitutiva dos discursos com que os homens exprimem sua visão de mundo;

c)      compreender a estrutura das línguas naturais;

d)      perceber a importância da literatura na expressão da experiência humana;

e)      compreender como se constitui um sistema literário específico;

f)        compreender as relações sincrônicas e diacrônicas num sistema literário e entre diferentes sistemas.


 

IV – PERFIL DO PROFISSIONAL DE LETRAS

 

Ein jeder, weil er spricht, glaubt auch über die Sprache sprechen zu können

Goethe, "Kunst und Altertum"

 

            O perfil do profissional que se deseja formar é um conjunto de habilidades que se espera o aluno tenha quando do término do curso. Com base na compreensão acima exposta a respeito dos objetivos de um Curso de Letras, o profissional de Letras deve:

 

a)       ter capacidade de analisar, descrever e explicar, diacrônica e sincronicamente, a estrutura e o funcionamento de uma língua, em seus componentes fonológico, gramatical e semântico;

b)       ter capacidade de (re)conhecer as variedades linguísticas diatópicas, diacrônicas, diastráticas e diafásicas existentes;

c)       compreender o funcionamento da linguagem humana em suas dimensões psicológicas, históricas, políticas e ideológicas e, principalmente, o fato de que a mudança e a variação são inerentes a ela;

d)       analisar as condições de uso da linguagem, sendo capaz de descrever as coerções internas e a heterogeneidade constitutiva que produzem o sentido do texto, ou seja, sua estrutura e sua historicidade;

e)       compreender como se processa a aquisição da linguagem e, por conseguinte, os problemas de ensino e aprendizagem da língua materna e de línguas estrangeiras;

f)         ter capacidade de analisar, descrever, explicar e interpretar um texto literário levando em consideração os seus componentes formais (fonológicos, gramaticais, semânticos e genéricos), temáticos e conteudísticos;

g)       conhecer o processo de formação dos sistemas literários levando em consideração tanto a autonomia formal quanto as determinações histórico-sociais das obras literárias.

h)       ter domínio ativo e crítico de um repertório representativo de uma dada literatura (obras) e sua respectiva fortuna crítica (história, polêmicas);

i)         ter conhecimento bem fundamentado das mais relevantes teorias críticas e ser capaz de desenvolver em relação a elas antes atitudes independentes que dogmáticas;

j)         adotar métodos apropriados para o trabalho com textos literários no ensino fundamental e médio. 

As habilitações em Letras, em função dos problemas específicos de aprendizagem apresentados, estão divididas em cinco grupos:

a)      Português;

b)      Letras Estrangeiras Modernas;

c)      Letras Orientais;

d)      Letras Clássicas;

e)      Linguística.

As razões que levaram a essa divisão são basicamente as seguintes: na habilitação em Português, o estudante é um falante nativo; nas habilitações em Letras Estrangeiras Modernas e Orientais, os estudantes não são, geralmente, falantes nativos e, ademais, não pertencem à cultura da língua e da literatura estudadas; nas Letras Orientais, além do trabalho com uma cultura muito diferente da nossa, há ainda a peculiaridade de o aluno operar com um sistema de escrita distinto daquela com que operam as chamadas línguas ocidentais; nas Letras Clássicas, a habilidade central enfocada é a recepção dos textos escritos; na Linguística, o objetivo é a formação teórica com vistas à descrição e à explicação dos fatos linguísticos.

Além dos elementos gerais que constam do perfil de qualquer graduado em Letras, podem-se acrescentar alguns elementos específicos ao perfil do graduado em cada um desses grupos de habilitações.   

           

Na habilitação em Português, constituem habilidades específicas:

 

a)      reflexão sobre os fatos linguísticos da língua portuguesa, a partir de sua análise, descrição e explicação;  

 

b)     visão crítica das perspectivas teóricas adotadas na abordagem da Língua Portuguesa e das Literaturas em Língua Portuguesa;

c)      percepção de diferentes contextos interculturais e implicações nos estudos linguísticos e literários,  .

 

            Nas habilitações em Letras Estrangeiras Modernas e Letras Orientais, constituem habilidades específicas:

a)      domínio do uso da língua estrangeira moderna, nas suas modalidades oral e escrita, em termos de recepção e produção de textos;

b)      percepção da literatura como forma de conhecimento e de reconhecimento das diversas realidades culturais;

c)      percepção dos contextos interculturais que operam na alteridade construída pela tradução quando da passagem de uma língua, cultura e literatura para outra língua, cultura e literatura.

 

Nas habilitações em Letras Clássicas, constituem habilidades específicas:

a)      domínio do uso da Língua Clássica (Grego Antigo e Latim) na modalidade escrita, principalmente em termos de recepção dos textos antigos;

b)      visão crítica das perspectivas teóricas adotadas nas investigações linguísticas e literárias concernentes à Antiguidade Clássica;

c)      percepção dos diferentes contextos interculturais e de suas consequências nas apropriações da Antiguidade Clássica pela tradição Ocidental.

 

Na habilitação em Linguística, constituem habilidades específicas:

a)      compreensão dos processos de construção dos diferentes objetos teóricos que constituem as ciências da linguagem;

b)      descrição e explicação dos fatos linguísticos, considerados em diferentes perspectivas teóricas.


 

V. CURSO DE LETRAS E REALIDADE EDUCACIONAL BRASILEIRA

 

                                               Viver é negócio muito perigoso...

                                                           Guimarães Rosa

                                   A gente pensa que vive por gosto, mas vive é por obrigação.                                                                                Guimarães Rosa

 

Evidentemente, um graduado em Letras deve conhecer a estrutura e o funcionamento da Língua Portuguesa, compreender os fatos linguísticos, reconhecer a diversidade de usos e respeitar as variedades linguísticas que se apresentam, . Ao mesmo tempo, deve, seja como receptor, seja como emissor, ser capaz de utilizar as modalidades escrita e oral da língua estrangeira em que se graduou. Como dissemos, essas habilidades deveriam ser pré-requisitos para ingressar num Curso de Letras. Não é, no entanto, o que ocorre com os nossos alunos, em função da maneira como se ensinam Português e línguas estrangeiras (reduzidas praticamente ao ensino do Inglês) no ensino fundamental e médio, conforme descrevemos em item anterior. O aluno chega ao curso superior sem ser capaz de usar, de maneira competente, a norma culta da Língua Portuguesa em sua modalidade escrita. No que tange às línguas estrangeiras, o aluno não consegue sequer ler, com proficiência, textos corriqueiros.   No que diz respeito às Letras Estrangeiras Modernas, com exceção da língua inglesa, que pressupõe do ingressante um conhecimento prévio de grau intermediário, pois é uma das disciplinas constantes da grade curricular do ensino médio, as outras línguas começam a ser ministradas a partir de um nível elementar e, de acordo com as dificuldades específicas de cada uma delas, têm a tarefa de propiciar ao aluno conhecimentos de língua que lhe possibilitem desenvolver a capacidade de leitura, expressão escrita e oral. Para tanto, as disciplinas de língua estrangeira procuraram constantemente inteirar-se das mais novas técnicas didáticas e metodológicas, em busca de aproximação cada vez maior de uma meta ideal. Com este intuito ministram-se cursos de aquisição de língua estrangeira baseados em métodos gramaticais, audiovisuais, audiolinguais, utilizando também a abordagem comunicativa e intercultural do ensino de língua estrangeira. Isso é feito sem deixar de lado o que é a especificidade de um curso superior de Letras: a reflexão sobre os fatos linguísticos e literários. O ensino de Línguas Estrangeiras Modernas e Clássicas deve aliar a aquisição do que seriam os pré-requisitos para um curso superior e as habilidades que se esperam de um graduado em Letras.


 

VI. DESCRIÇÃO DO CURSO DE LETRAS

                                              

            Ubi materia, ibi geometria

                                   Kepler

 

            Em função de todos os elementos acima enunciados, o Curso de Letras da Universidade de São Paulo organiza-se da seguinte forma:

a)      ciclo básico (1º ano);

b)      habilitações simples ou duplas em Português e Linguística, Grego ou Latim (2º, 3º e 4º anos)

c)      habilitações simples em Inglês, Espanhol, Francês, Alemão, Italiano, Árabe, Armênio, Chinês, Hebraico, Japonês e Russo (2º, 3º e  4º anos).

d)      habilitações duplas em Português e uma língua estrangeira Inglês, Espanhol, Francês, Alemão, Italiano, Árabe, Armênio, Chinês, Hebraico, Japonês e Russo (2º, 3º,  4º e 5º anos).

O aluno poderá cursar uma habilitação ou duas, sendo que a habilitação em Português é oferecida a todos os que desejam frequentá-la.

Durante o Curso de Letras, o aluno poderá optar pelo bacharelado com uma habilitação (com duração mínima de 8 semestres) ou com duas habilitações. Nesse caso poderá fazer o curso em 10 semestres se optar por Português/ Língua Estrangeira, ou em 8 semestres se optar por Português/Linguística, ou por Português/Grego, ou por Português/Latim. Pode, ainda, optar pelo bacharelado com licenciatura (duração mínima de 8 semestres). Neste caso, o aluno deverá cursar disciplinas que o direcionem, mais especificamente, à licenciatura; se, contudo, optar pelo bacharelado, não precisará cursar tais disciplinas. Todas as disciplinas do curso visam a formar integralmente o aluno, como profissional de Letras, quer como bacharel quer como licenciado. Se o aluno optar pela licenciatura, além do núcleo de disciplinas oferecidas pelos diversos departamentos que compõem o Curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, deverá cursar, na Faculdade de Educação, as disciplinas pedagógicas.

O ciclo básico foi criado porque os alunos chegavam ao Curso de Letras, concebendo-o como um curso de línguas e não como um curso que visa a compreender o funcionamento da linguagem humana. Destina-se a dar uma formação mais geral ao estudante.

Que é que se deve entender por formação mais geral do estudante? Muitos dizem que o aluno precisaria dedicar-se a diferentes áreas do conhecimento. Não se discute que a aventura do conhecimento exige que se conheça tudo: Filosofia, Antropologia, Matemática, Linguística, etc. No entanto, um currículo é uma seleção com vistas à formação de um estudante, pois é a partir de sólidos conhecimentos num domínio específico que se pode abrir para as íntimas relações dos diversos campos do saber. A interdisciplinaridade estabelece-se como exigência do trabalho disciplinar, quando se verifica que um problema deve ser tratado sob diferentes óticas e perspectivas. Assim, ela não significa a diluição das teorias, dos métodos e das técnicas dos diferentes campos do conhecimento num todo amorfo e eclético, mas exige um profundo conhecimento da disciplina e do tratamento da questão que está sendo proposta. A interdisciplinaridade não é dada como pré-condição, mas surge como exigência interna ao trabalho que está sendo realizado. Não é criada por decreto, mas construída no cotidiano do pesquisador, que não é isolado, mas precisa da colaboração de colegas de outras disciplinas, para que o assunto pesquisado seja abordado de múltiplos pontos de vista.

            Com base nessa concepção de que é preciso um forte conhecimento disciplinar, selecionaram-se as seguintes disciplinas para o ciclo básico: Elementos de Linguística I e II; Introdução aos Estudos Literários I e II; Introdução ao Estudo da Língua Portuguesa I e II e Introdução aos Estudos Clássicos I e II.

            A Linguística e a Teoria da Literatura foram escolhidas para figurar no ciclo básico, porque, dentro de uma concepção orgânica de currículo do Curso de Letras, essas disciplinas são encarregadas de dar ao aluno essa fundamentação teórica para o estudo das diferentes línguas e das diversas literaturas. Por exemplo, cabe à Linguística ensinar teoria fonológica, enquanto, em Língua Portuguesa, se ensina o sistema fonológico do Português e, em Língua Inglesa, o sistema fonológico do Inglês.

            Detalhemos ainda mais a relação entre Linguística e línguas e entre Teoria da Literatura e literaturas, bem como os conteúdos gerais dessas disciplinas. A Linguística deve, depois de discutir uma concepção não vulgar das funções da linguagem, dar ao aluno noções teóricas fortes a respeito dos cinco grandes objetos teóricos: a langue, a competência, a mudança, a variação e o uso. Os dois primeiros (ou um deles) devem contemplar os componentes fonológico, morfológico, sintático e semântico. O último deve contemplar aspectos da pragmática e das teorias do discurso e do texto. A um curso de língua, cabe estudar como esses aspectos se realizam numa dada língua humana. É da alçada da Teoria da Literatura discutir os conceitos, funções, gêneros e periodização da literatura, bem como os elementos constitutivos da narrativa, da poesia e do teatro. Às literaturas compete o estudo da formação de uma literatura específica e da constituição do seu cânon, bem como o exame de suas obras relevantes e da relação entre o campo literário e outros campos discursivos. As literaturas estudam as condições de produção, circulação e recepção dessas obras, bem como sua fortuna crítica. Um currículo pensado dessa maneira é um todo orgânico, em que Linguística e línguas e Teoria da Literatura e literaturas mantêm estreitas relações, não constituindo disciplinas sem qualquer relação entre si.

            Os conteúdos programáticos da Linguística e da Teoria da Literatura no ciclo básico seguem essa concepção. Na primeira, estudam-se, ao longo de dois semestres, as concepções e funções da linguagem humana; os conceitos relacionados aos cinco objetos teóricos construídos pela Linguística Moderna: a língua, a competência, a variação, a mudança e o uso e introduz-se o aluno na análise linguística, nos níveis fonético-fonológico, morfológico, sintático, semântico, pragmático e discursivo. A disciplina Introdução aos Estudos Literários, no primeiro semestre, estuda as questões gerais relativas à teoria da poesia e, no segundo semestre, analisa os problemas gerais da teoria da prosa, bem como métodos e técnicas de análise e interpretação do romance e do conto.

            A disciplina Introdução ao Estudo da Língua Portuguesa tem a finalidade de levar os alunos à reflexão de que os fenômenos de variação e mudança são intrínsecos à linguagem humana. Podem refletir melhor sobre esses aspectos numa língua da qual são falantes nativos.   O que se quer é que, em lugar de uma visão prescritivista do fenômeno linguístico, ele conheça e reflita sobre uma concepção científica da linguagem humana. Essa preocupação descritiva está presente, também, no estudo dos gêneros falados, a começar pela conversação, com vistas a apresentar ao aluno possibilidades teóricas de tratamento do texto falado e características da oralidade em sua relação com o letramento e a escrita, com base na perspectiva textual-interativa.

A disciplina Introdução aos Estudos Clássicos está ligada às perspectivas histórica e crítica da modernidade, transitando num intervalo entre nós e o mundo dos Gregos e Romanos. As questões que aí surgem são suscitadas pela nossa distância em relação a esse mundo e, ao mesmo tempo, por nossa proximidade e familiaridade com ele. A tarefa dos Estudos Clássicos não é só descobrir ou explicar esse mundo antigo, mas também definir e debater nossa relação com ele; pensar na pretendida modernidade dos Antigos, mas também na sua diferença, a partir da qual podemos descobrir a nós mesmos na nossa diversidade esquecida; reencontrar outras realidades humanas nesses Gregos e Romanos dos quais, por outro lado, nos vemos como herdeiros. A Introdução aos Estudos Clássicos está envolvida com essas questões e diz respeito à nossa maneira de responder não só ao mundo antigo propriamente dito, mas também ao modo como estudamos esse mundo, como nos apropriamos dele e que valores educacionais esse estudo tende a reproduzir. Abre-se a possibilidade de mostrar uma Tradição que permanece viva na cultura ocidental, e também de mostrar um percurso histórico das disciplinas universitárias contemporâneas que retomam as discussões dos antigos.

             Os alunos entram no Curso de Letras, frequentam o ciclo básico e, ao final do primeiro ano, escolhem uma habilitação, a partir de uma classificação feita pela média das notas das disciplinas do ciclo básico, em que as notas do primeiro semestre têm peso 1 e as do segundo, peso 2. A implantação do ciclo básico foi uma experiência bem sucedida.

            As diferentes habilitações, com exceção da habilitação em Linguística, compõem-se de disciplinas relacionadas à língua, à literatura, à cultura e, no caso das habilitações em Letras Estrangeiras Modernas, à tradução, também. Articulam-se organicamente com as disciplinas do ciclo básico, principalmente a Linguística e a Teoria da Literatura. A cultura é tomada stricto sensu, nessas habilitações, como referencial imprescindível da língua e contexto histórico-social da literatura, que, principalmente no caso das culturas orientais e indígenas devem ser salientada

 

Habilitação em Português

 

As disciplinas da Graduação em Letras com Habilitação em Português estão divididas em dois grandes grupos: disciplinas de estudos linguísticos e de estudos literários. Em cada um desses grupos há a indicação de disciplinas curriculares, regularmente oferecidas em dois módulos: disciplinas obrigatórias e disciplinas optativas eletivas, como mostrado abaixo:

 

 

 

Quadro I: bacharelado

Disciplinas de Estudos Linguísticos

Disciplinas de Estudos Literários

 

 

Obrigatórias:

Obrigatória:

Introdução ao estudo da língua portuguesa I e II

Introdução aos Estudos Literários I e II

Fonética e Fonologia do Português.

Literatura Brasileira  de I a IV

Morfologia do Português I.

Literatura Portuguesa de I a IV

Sintaxe do Português I.

 

Filologia Portuguesa

 

Teorias do Texto-Enunciação, Discurso e Texto.

 

Introdução ao latim I e II.

 

 

 

Eletivas:

Eletivas:

Língua grega I, II, III e IV.

Teoria Literária I e II,

Correntes Críticas I e II

Literatura Comparada I e II.

Língua latina III e IV.

Literatura e Educação

 Filologia Românica I e II

Introdução aos Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa I e II.

 Fonologia: descrição e análise

Literatura Infantil e Juvenil: linguagens do imaginário I e II.

 Morfologia

Literaturas Africanas de Língua Portuguesa de I a IV.

 Sintaxe: fundamentos da análise e descrição sintáticas.

Poemas Hesiódicos.

Língua não indoeuropeia I e II

Teatro Grego.

Teoria e análise de textos: semiótica narrativa e discursiva.                                                      

Historiografia Grega.

Lexicologia e lexicografia.

Literatura Latina: Teatro

Pragmática

Literatura latina:Lírica.

Semântica

Literatura Latina: Epistolografia ou Sátira.

Sociolinguística variacionista.

Literatura Latina: Elegia.

Psicolinguística.

Literatura Latina: Elegia.

 

Literatura latina: Épica.

 

Literatura latina: História da Literatura ou Historiografia.

 

Lírica Grega.

 

Diálogo Platônico.

 

Épica Grega: Homero.

§        Em documento anexo a este PPP, encontra-se a lista de disciplinas optativas livres.

 

            As disciplinas de estudos linguísticos abordam os diferentes modelos teóricos que se ocupam da estrutura da Língua Portuguesa e da descrição de seus usos e variações. As descrições sincrônica e diacrônica integram-se para mostrar ao aluno as possíveis articulações e as contradições resultantes das diferentes abordagens, de modo que ele possa compreender o que é esta Língua Portuguesa que ele estuda, ou seja, que ele possa compreender os princípios epistemológicos e os recortes que constroem o objeto, de maneira que, na sua trajetória acadêmica, possa visualizar os caminhos alternativos, suas possíveis conexões e incompatibilidades e as implicações das diferentes opções.

             Estudos Comparados de Liteaturas de Língua Portuguesa: nas disciplinas de estudos literários são apresentadas as literaturas Brasileira, Portuguesa e Africanas de Língua Portuguesa a partir das organizações discursivas literárias e dos cânones. O recorte comparatista é enfatizado pelas disciplinas de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, incluindo a Literatura Infantil e Juvenil.

A disciplina de Literatura Infantil e Juvenil é uma chave críptica para diversas sondagens e permite estabelecer relações fundamentais sobre as representações que se fazem e fizeram da criança, e do próprio humano, no perfazer da história.

            Evidentemente, à separação didática entre estudos linguísticos e literários contrapõe-se a articulação das abordagens no exercício concreto do trabalho com o discurso e com o texto.

 

Habilitações em Letras Estrangeiras Modernas

 

São cinco as habilitações em Letras Estrangeiras Modernas: Alemão, Espanhol, Francês, Inglês e Italiano. Em todas elas, as disciplinas estão divididas em três grupos: disciplinas de estudos linguísticos, disciplinas de estudos literários e disciplinas de tradução. Os dois primeiros grupos contêm disciplinas obrigatórias, optativas eletivas e optativas livres. Uma característica que singulariza essas habilitações, na USP, é o equilíbrio na importância atribuída ao estudo da língua e da literatura, o que resulta na distribuição equânime de créditos entre as duas especialidades. O terceiro grupo, de estudos tradutológicos, compreende um número menor de disciplinas que os outros dois e estas compõem um conjunto de disciplinas optativas eletivas e/ou livres, à exceção da habilitação em Alemão, na qual uma dessas disciplinas é obrigatória. Na formatação atual, o segmento de tradução delineia um núcleo temático que inclui disciplinas de fundamentação em tradução e em análise contrastiva e disciplinas voltadas para a prática da tradução. Diante da flexibilização do currículo promovida recentemente pelo Departamento, a tradução constitui um componente eletivo da habilitação, com uma base inicial para uma formação profissional a ser buscada em outra etapa, em cursos de pós-graduação ou de aperfeiçoamento. No futuro, a competência profissional em Tradução poderá vir a ser regulamentada e institucionalizada no Departamento em nível de graduação como uma alternativa ao Bacharelado em Letras.

 

 

Habilitação em Alemão

 

Com a preocupação de oferecer ao aluno um leque de opções que atendam aos seus interesses específicos, a área de alemão estrutura as disciplinas livres e eletivas em torno dos três eixos: linguística, literatura e tradução, de modo a permitir que ele se aprofunde em um desses eixos.

O objetivo das disciplinas de língua alemã é, inicialmente, capacitar o aluno nas quatro habilidades linguísticas (recepção e produção oral e escrita) como pressupostos básicos para a reflexão sobre a língua estrangeira e o desenvolvimento de sua competência discursivo-textual em contextos culturais diversos. Essa competência permitirá ao aluno transitar pelas três vertentes de atuação representadas por lingüística, literatura e tradução. Esse eixo básico voltado à capacitação do aluno para o domínio e uso da língua alemã em contextos teóricos e práticos está distribuído ao longo de cinco semestres nas disciplinas obrigatórias de Língua alemã I a Língua alemã V

Após os cinco semestres de ênfase na aquisição da língua estrangeira, o foco das disciplinas de língua volta-se para questões teóricas e a sistematização consciente de questões linguísticas referentes ao par de línguas alemão e português.

A literatura alemã no contexto da Área de Alemão: Língua, Literatura e Tradução tem como característica o elo com o ensino-aprendizagem de alemão como língua estrangeira, já que os alunos ingressam no curso sem conhecimentos prévios do idioma alemão. A partir desse pano de fundo, objetiva-se que, além de desenvolver a capacidade linguística, o aluno formado em Letras-Alemão possua um conhecimento aprofundado dos principais autores e obras da literatura de expressão alemã em seu contexto histórico-cultural, bem como tenha autonomia crítico-interpretativa mediante os estudos analíticos e as vertentes teóricas apresentadas ao longo do curso. Sua competência interpretativa deverá incorporar a interface comparativa com as literaturas de língua portuguesa.

A tradução é uma vertente de ensino e pesquisa presente na Área de Alemão desde 1978. Tendo como pano de fundo o vínculo língua/cultura e o contato entre as culturas, esta vertente visa a desenvolver estratégias para a recepção efetiva do texto em alemão e identificar fenômenos linguísticos que possam significar entraves na fase de retextualização, refletir sobre especificidades linguísticas e culturais em contraste para o par de línguas alemão-português (fase de recepção), buscar soluções adequadas à situação de recepção em português (fase de retextualização) e desenvolver uma competência crítica para avaliar o resultado em função de uma tarefa específica (fase de controle).

 

Disciplinas do Bacharelado em Alemão

 

Estudos linguísticos

Estudos literários

Estudos tradutológicos

Obrigatórias

Obrigatórias

Obrigatórias

Língua alemã I

Lit. alemã: conto e lírica

Introdução à tradução do alemão

Língua alemã II

Lit. alemã: romantismo e classicismo

 

Língua alemã III

Lit. alemã: república de Weimar/ Lit. contemporânea

 

Língua alemã IV

História da literatura alemã

 

Língua alemã V

 

 

Introdução à linguística alemã I

 

 

Introdução à linguística alemã II

 

 

Eletivas

Eletivas

Eletivas

Tópicos de linguística alemã

Lit. alemã: novela e teatro

Linguística contrastiva (alemão/português)

Produção e recepção de textos I

 

Tradução comentada do alemão I

Produção e recepção de textos II

 

Tradução comentada do alemão II

 

 

Tradução: teoria e prática (alemão/português)

Livres

Livres

Livres

Fonologia e fonética alemã

Introdução à literatura alemã

Introdução aos estudos tradutológicos

Gramática da língua alemã

Cultura e civilização dos países de língua alemã I

 

Análise contrastiva do alemão

Cultura e civilização dos países de língua alemã II

 

Leitura e compreensão de textos acadêmicos

Tópicos especiais da literatura alemã: Os Nibelungos

 

Conversação em Língua Alemã I

Literatura Alemã e Cinema

 

Conversação em Língua Alemã II

 

 

 

 

 

Habilitação em Espanhol

 

Os estudos linguísticos visam a que o aluno desenvolva o trabalho de interpretar o funcionamento da língua e de inscrever-se em suas discursividades, e a que construa, com relação a ela, um espaço de saber a partir: a) da observação e interpretação das grandes zonas em que o funcionamento do espanhol se aproxima e se distancia linguística e culturalmente do português brasileiro; b) da quebra da frequente identificação imaginária da língua espanhola com uma "língua formal"; c) do tratamento da variedade interna do espanhol e da que surge da comparação entre ele e o português brasileiro à luz de processos sócio-históricos; d) do conhecimento crítico de modelos teóricos que tentam explicar os processos de aquisição-aprendizagem das línguas estrangeiras; e) do uso e visão analítica de instrumentos linguísticos centrais no processo de ensino-aprendizado (dicionários e gramáticas).

Quanto aos estudos literários, as disciplinas de Literatura Hispano-Americana têm por objetivo desenvolver no aluno uma reflexão crítica em torno dos aspectos, autores e textos mais relevantes da literatura da América Latina, da Conquista até a atualidade. Visa-se reconstruir analiticamente um processo histórico, assim como aprofundar o estudo dos momentos significativos de mudança social, política e cultural que incidiram na configuração da literatura do continente. As disciplinas de Literatura Espanhola fazem um percurso do Medievo à atualidade e propõem reflexões sobre temas da cultura, história e literatura espanholas a partir de textos produzidos por autores espanhóis em diferentes momentos da história dessa literatura.

O conjunto das quatro disciplinas de Tradução tem uma meta pragmática e outra formativa. Dentro da meta pragmática, são objetivos: a) oferecer uma prática introdutória na tradução escrita; b) apresentar a tradução como uma formação de crescente especificidade no país e no mundo, que envolve uma gama de possíveis especializações; c) familiarizar o aluno com diferentes ferramentas de auxílio para o tradutor. Em seu aspecto formativo, as disciplinas de tradução têm como objetivos: a) desenvolver uma reflexão sobre a prática de tradução com base na observação e discussão dos vários fatores que entram em jogo ao tomar decisões de tradução; b) apresentar informações sobre história da tradução assim como conceitos e modelos oferecidos pelos Estudos de Tradução; c) oferecer subsídios para a identificação de temas de pesquisa e sua associação a um quadro teórico pertinente.

 

Disciplinas do Bacharelado em Espanhol

Disciplinas de Estudos Linguísticos

Disciplinas de Estudos Literários

Disciplinas de Estudos Tradutológicos

 

 

 

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Língua Espanhola I a III

Prosa, poesia e ensaio na Literatura Espanhola contemporânea

 

Práticas Orais em Língua Espanhola

Narrativa Breve Hispano-Americana

 

Argumentação e Sintaxe em Língua Espanhola

Literatura Espanhola: Idade Média

 

Prática de Escrita em Língua Espanhola

Literatura Hispano-Americana: Discursos da Conquista

 

Tópicos Contrastivos Acerca do Funcionamento da Língua Espanhola e do Português Brasileiro

Literatura Espanhola: Século XVI

 

 

Literatura Hispano-Americana: Estudos Coloniais

 

 

Literatura Espanhola: Século XVII

 

 

Literatura Hispano-Americana: Romantismo e “Modernismo”

 

 

Literatura Espanhola: Século XIX

 

 

Literatura Espanhola: Século XX

 

 

Vanguardas Latino-Americanas

 

 

Literatura Hispano-Americana Contemporânea

 

 

 

 

Eletivas:

Eletivas:

Eletivas:

Variedade e Alteridade na Língua Espanhola

Leituras Específicas da Literatura Hispano-Americana

Introdução aos Estudos Tradutológicos

 

Leituras Específicas da Literatura Espanhola

Introdução à Prática de Tradução do Espanhol

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Livres

Livres

Livres

 

 

 

Tradução Comentada do Espanhol I e II

 

 

 

Análise Contrastiva para Tradução Português/Espanhol

 

 

 

 

Habilitação em Francês

 

Os estudos linguísticos partem do desafio de levar o aluno a adquirir as quatro competências linguísticas (compreensão e expressão, oral e escrita) a partir de um nível inicial mínimo de conhecimento na língua. Para atingir esse objetivo, grande ênfase é dada à autonomia do aprendiz e a sua capacidade de realizar tarefas que permitam sua inserção na língua-cultura francesa e francófona de forma crítica e reflexiva. O objetivo específico é levar o aluno a: (i) estabelecer relações entre a língua-cultura materna e a língua-cultura francesa, bem como com as culturas francófonas; (ii) compreender o funcionamento da língua francesa, seus usos e variações; (iii) desenvolver uma competência de comunicação escrita e oral na língua-cultura francesa e francófona.

Os estudos literários em francês têm por objetivos principais levar o aluno a conhecer as diversas literaturas em língua francesa, por meio de seus gêneros de expressão, momento histórico, perspectivas críticas e de questões ligadas à francofonia, como a produção do Caribe francês e do Québec. São objetivos específicos desse segmento: (i) oferecer ao aluno subsídios para a leitura, análise e crítica das literaturas de expressão francesa; (ii) capacitá-lo a identificar questões de análise relativas tanto à forma literária em francês, como aos seus conteúdos (literatura dos países de expressão francesa, relações França-Brasil, estudos sobre a crítica francesa e crítica genética); (iii) introduzi-lo aos estudos literários transdisciplinares, visando ao seu aperfeiçoamento (linguística, literatura comparada, teoria literária, outras literaturas modernas, tradução, entre outros).

Os estudos tradutológicos em francês pretendem colocar em destaque as competências adquiridas pela dinâmica interdisciplinar e intercultural da área para uma formação futura continuada. São objetivos específicos desses estudos: (i) familiarizar o aprendiz de língua francesa com a prática da tradução de textos; (ii) conscientizá-lo da complexidade dessa prática, que envolve técnicas de análise e interpretação de texto, estratégias de produção textual e métodos específicos de pesquisa lexicológica, terminológica, estilística e cultural; (iii) capacitá-lo ao aprofundamento da análise e crítica da tradução pela observação das especificidades de textos literários de diferentes tipos; (iv) conduzi-lo à observação das especificidades de textos especializados de diferentes tipos em francês e em português; (v) introduzi-lo à produção de traduções do francês para o português de textos literários e, nas duas direções, de textos especializados; (vi) prepará-lo para a realização de traduções ou de análises críticas de traduções com o auxílio de ferramentas computacionais.

 

Disciplinas do Bacharelado em Francês

Disciplinas de Estudos Linguísticos

Disciplinas de Estudos Literários

Disciplinas de Estudos Tradutológicos

 

 

 

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Língua Francesa I a VII

Introdução à Literatura Francesa

 

 

Narrativa Francesa

 

 

Poesia Francesa I e II

 

 

Romance Francês I e II

 

 

Teatro Francês

 

 

Monografia

 

 

 

 

Eletivas:

Eletivas:

Eletivas:

 

Relações Literárias Brasil-França

Introdução aos Estudos Tradutológicos

 

Literaturas de Expressão Francesa I e II

Introdução à Prática da Tradução do Francês

 

 

Perspectiva da Crítica Francesa

 

 

 

Livres:

Livres:

 

Fundamentos da Crítica Francesa

Análise Contrastiva do Francês

 

A Escrita Literária

Tradução Comentada I e II

 

 

Habilitação em Inglês

 

Os estudos linguísticos em inglês têm como objetivo desenvolver e consolidar a aquisição das habilidades linguísticas do aluno (produção e compreensão oral e escrita), sem deixar de contemplar e estimular sua capacidade de reflexão sobre a língua estrangeira, também em sua relação com a língua portuguesa. Promover a reflexão sobre a língua inglesa é particularmente crucial, uma vez que essa língua costuma ser vista, no senso comum, como idioma obrigatório em todos os níveis profissionais e, dessa forma, é reduzida ao seu aspecto instrumental. As disciplinas introdutórias em língua têm como enfoque a comunicação oral e escrita. Nos semestres seguintes, as disciplinas priorizam a reflexão sobre a língua (localização, análise e avaliação de questões linguísticas), com base em aportes da linguística teórica, aplicada, análise do discurso, sociolinguística e estudos pós-colonialistas.

Os estudos literários em inglês objetivam levar o aluno a conhecer não somente as literaturas canônicas produzidas em língua inglesa, mas também as coloniais e pós-coloniais. Nas disciplinas iniciais, objetiva-se desenvolver a capacidade perceptiva e analítica do aluno, sensibilizando-o para a análise e discussão crítico-interpretativa no tocante aos aspectos formais e temáticos de narrativas e textos poéticos produzidos por autores consagrados. Nas disciplinas seguintes, estudam-se as principais correntes e movimentos dos vários gêneros, um panorama diacrônico das literaturas inglesa e norte-americana, diferentes representações literárias das ex-colônias, a relação entre obra literária e discurso fílmico e as mudanças de objeto e modo de abordagem que a nova disciplina de estudos culturais trouxe para a área de humanidades. As disciplinas finais permitem ao aluno aprofundar seus estudos sobre poesia, romance ou teatro.

Os estudos em tradução têm como objetivos: (i) apresentar aos alunos um panorama de algumas das principais questões teóricas da tradução; (ii) familiarizá-los com os procedimentos básicos da tradução, em suas dimensões linguísticas, estilísticas e culturais, e desenvolver uma competência tradutória básica para a realização da tradução escrita inglês/português em uma variedade de tipologias textuais; (iii) realizar um estudo contrastivo entre inglês e português, tendo em vista os níveis microtextuais (com enfoque nos aspectos lexical, sintático e semântico) e macrotextuais (noções de coesão e coerência textual, tipos textuais mais característicos de cada língua e de seus efeitos nas correspondentes culturais); (iv) sensibilizar os aprendizes para fenômenos linguísticos que, no confronto dos dois idiomas, podem constituir fontes de dificuldades de compreensão.

 

Disciplinas do Bacharelado em Inglês

Disciplinas de Estudos Linguísticos

Disciplinas de Estudos Literários

Disciplinas de Estudos Tradutológicos

 

 

 

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Comunicação Escrita 1 e 2

Introdução à Prosa

 

Fonologia 1 e 2

Movimentos do Teatro

 

Comunicação Oral 1 e 2

Introdução à Poesia

 

Discurso 1 e 2

Movimentos da Poesia

 

Língua e Cultura 1 e 2

Leituras do Cânon 1 a 3

 

Tópicos de Semântica

Shakespeare: Obra e Crítica

 

Tópicos de Gramática

Literatura e Diferença

 

Tópicos de Pesquisa em Língua Inglesa

Literatura e Cinema

 

 

Estudos de Cultura

 

 

 

 

Eletivas:

Eletivas:

Eletivas:

Tópicos de Escrita

Tópicos da Poesia

Introdução aos Estudos Tradutológicos

 

Tópicos do Romance

Introdução à Prática de Tradução do Inglês

 

Tópicos do Teatro

 

 

 

Livres:

 

 

Análise Contrastiva do Inglês

 

 

Tradução Comentada do Inglês I

 

 

Tradução Comentada do Inglês II 

 

 

Habilitação em Italiano

 

O objetivo das disciplinas de língua italiana é, inicialmente, propiciar aos alunos o desenvolvimento da competência linguístico-comunicativa nas quatro habilidades (compreensão oral e escrita/ produção oral e escrita) e oferecer oportunidades para que os alunos aprendam a refletir sobre os aspectos discursivos da língua italiana. Objetiva-se atingir, além dos conteúdos previstos, o desenvolvimento da autonomia do aluno como aprendiz de língua estrangeira e como futuro profissional para atuar em atividades de ensino, pesquisa e tradução. Os fatos gramaticais são vistos em sua funcionalidade discursiva para que o aluno possa perceber os mecanismos da língua e seus efeitos de sentidos e, a partir disso, construir seu espaço linguístico-discursivo e continuar seu percurso de formação como especialista e pesquisador.

Os estudos de literatura italiana têm início um semestre após o estudo da língua, de modo que, munidos de um conhecimento básico de italiano, os estudantes possam iniciar seu trabalho com os textos literários na língua original, o que favorece a interligação e complementação mútua entre os estudos de língua, literatura e tradução. Esses estudos desdobram-se em duas etapas: a primeira visa a fornecer ao aluno uma visão de conjunto da produção literária italiana, em sua sequência histórica e por meio de uma estreita integração de história, língua, cultura e produção artístico-literária; a segunda objetiva levar o aluno a desenvolver uma competência interpretativa e crítica para o exame do texto literário e sua interligação com a literatura brasileira (e/ou mundial quando for o caso). Para completar esse quadro dos estudos literários, disciplinas optativas buscam abordar outros aspectos da literatura, como o diálogo com outras linguagens ou o estudo de um autor contemporâneo.

As disciplinas de tradução mantêm uma interface tanto com as disciplinas de língua quanto de literatura. No que se refere à relação com as disciplinas de língua, os estudos de tradução visam sensibilizar o aluno para aspectos contrastivos entre o português e o italiano e trabalhar elementos de gramática contrastiva, de lexicologia e de estudos culturais. No que tange à sua inter-relação com a literatura italiana, o estudo da tradução se desdobra em primeiro lugar nas abordagens - mais ou menos instrumentais - que inevitavelmente acontecem no contexto de todas as disciplinas de literatura italiana, e que despertam o interesse do estudante em relação a essa operação, particularmente em seu aspecto de mediação entre as duas culturas. Outros objetivos das disciplinas de tradução são criar condições para que o aluno se inicie na prática de tradução e, no aspecto específico da tradução literária, refletir sobre a diferença, o ser estrangeiro e a intermediação cultural.

Disciplinas do Bacharelado em Italiano

Disciplinas de Estudos Linguísticos

Disciplinas de Estudos Literários

Disciplinas de Estudos Tradutológicos

 

 

 

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Língua Italiana I a VII

Tópicos de Literatura Italiana I: Das origens ao Renascimento

 

 

Tópicos de Literatura Italiana II: Do Barroco ao Renascimento

 

 

Tópicos de Literatura Italiana III: Verismo ao Neo-realismo

 

 

O Século XX

 

 

Literatura Italiana II: Poesia e Prosa nos Séculos XVIII e XIX.

 

 

Tratados da Renascença Italiana

 

 

Literatura da Renascença

 

 

Literatura Italiana das Origrens

 

 

Literatura Medieval: Dante, Petrarca e Boccaccio

 

 

 

 

Eletivas:

Eletivas:

Eletivas:

Compreensão e Produção Oral em Italiano

Italo Calvino e Outros Narradores do Século XX

Introdução aos Estudos Tradutológicos

Compreensão e Produção Escrita em Italiano

 

Tradução: Teoria e Prática

Introdução à Linguística Italiana

 

Tradução Comentada do Italiano I e II

 

 

Habilitações em Letras Orientais

 

 

São seis as Habilitações em Letras Orientais: Árabe, Armênio, Chinês, Hebraico, Japonês e Russo. O eixo comum a todas as áreas é o estudo da língua em seus diferentes estágios e manifestações, privilegiando-se tanto seu modo de articulação e funcionamento, como seu uso enquanto expressão literária e de produção cultural, num arco de tempo que vai de sua formação até o presente. Deste modo, as habilitações mantidas pelo Departamento de Letras Orientais compõem um sistema organizado através de articulações de três eixos essenciais que o constituem língua, literatura e cultura. Objetiva-se um equilíbrio entre o domínio das competências linguísticas e literárias com os necessários aportes culturais, dada a natural complexidade dos Estudos Orientais. Em cada um desses grupos há a indicação de disciplinas curriculares, regularmente oferecidas em dois módulos: disciplinas obrigatórias e disciplinas eletivas.

No Bacharelado pode-se optar entre a habilitação simples em uma Língua Estrangeira ou pela habilitação dupla em Português e uma Língua Estrangeira com duração ideal de 10 (dez) semestres. Sobre as disciplinas que integram a Licenciatura consulte o tópico “Projeto de Formação de Professores” a seguir neste PPP.

 

 

 

Habilitação em Árabe – Bacharelado

 

Estudos Linguísticos

Estudos Literários

Estudos Culturais

Obrigatórias

 

 

Língua Árabe I a VIII

Literatura Árabe I e II

Cultura Árabe I e II

Comunicação em Árabe Moderno

Prosa Árabe I e II

História do Pensamento Árabe I e II

Compreensão e Produção Textual em Árabe I e II

Poesia Árabe I e II

 

Eletivas

 

 

 

Teoria Literária I e II,

Correntes Críticas I e II

Literatura Comparada I e II.

Panorama Sócio-Histórico-Cultural da Língua Árabe

 

 

Habilitação em Armênio – Bacharelado

 

Estudos Linguísticos

Estudos Literários

Estudos Culturais

Obrigatórias

 

 

Língua Armênia I a VIII

Literatura Armênia I a VI

 

Eletivas

 

 

 

Teoria Literária I e II,

Correntes Críticas I e II

Literatura Comparada I e II.

Cultura Armênia I e II

 

 

Habilitação em Chinês – Bacharelado

 

Estudos Linguísticos

Estudos Literários

Estudos Culturais

Obrigatórias

 

 

Língua Chinesa I a VIII

Literatura Chinesa Moderna I a IV

 

 

Literatura Clássica Chinesa I e II

 

Eletivas

 

 

 

Teoria Literária I e II,

Correntes Críticas I e II

Literatura Comparada I e II.

Cultura Chinesa I e II

 

 

 

 

Habilitação em Hebraico – Bacharelado

 

Estudos Linguísticos

Estudos Literários

Estudos Culturais

Obrigatórias

 

 

Língua Hebraica I a VIII

Literatura Hebraica I a VIII

Cultura do Israel Bíblico I e II

Hebraico Bíblico I e II

 

Cultura do Povo Judeu nos Tempos Modernos I e II

Eletivas

 

 

Introdução às Línguas Semíticas

Teoria Literária I e II,

Correntes Críticas I e II

Literatura Comparada I e II.

Introdução ao Judaísmo I e II

 

 

Habilitação em Japonês – Bacharelado

 

Estudos Linguísticos

Estudos Literários

Estudos Culturais

Obrigatórias

 

 

Língua Japonesa I a VIII

Literatura Japonesa I a VI

 

Língua Clássica Japonesa I e II

Literatura Japonesa Clássica I e II

 

Eletivas

 

 

 

Teoria Literária I e II,

Correntes Críticas I e II

Literatura Comparada I e II.

Cultura Japonesa I e II

 

 

Habilitação em Russo – Bacharelado

 

Estudos Linguísticos

Estudos Literários

Estudos Culturais

Obrigatórias

 

 

Língua Russa I a VIII

Introdução a Literatura Russa I e II

 

 

Prosa Russa I e II

 

 

Poesia Russa I e II

 

 

Teatro Russo I e II

 

 

Crítica Literária Russa I e II

 

Eletivas

 

 

 

Teoria Literária I e II,

Correntes Críticas I e II

Literatura Comparada I e II.

Cultura Russa I e II

 

Habilitações em Letras Clássicas

 

 

Na Habilitação Língua e Literatura Grega, os objetivos específicos são os seguintes:

 

1.      Conhecer a Língua Grega antiga na modalidade escrita, principalmente em termos de recepção dos textos antigos, com ênfase nas obras literárias;

2.      Estudar e traduzir criticamente obras literárias consideradas em seus gêneros poéticos, dramáticos e prosaicos específicos, com ênfase nos períodos arcaico (final do século IX a meados do século V a.C.) e clássico (meados do século V à segunda metade do século IV a.C.).

3.      Estudar criticamente diferentes teorias pertinentes às investigações linguísticas e literárias relativas à Língua e Literatura Grega, produzidas tanto pelos autores antigos quanto pelos modernos;

4.      Investigar contextos interculturais e suas consequências nas apropriações da Antiguidade Clássica pela tradição Ocidental, dada a defasagem entre o mundo antigo e o moderno.       

As habilitações em Letras Clássicas apresentam as seguintes disciplinas obrigatórias:

 

 

Grego

 

Disciplinas de Estudos Linguísticos

Disciplinas de Estudos Literários

FLC0110 Língua Grega I

FLC0162 Introdução ao Latim I

FLC0111 Língua Grega II

FLC0163 Introdução ao Latim II

FLC0210 Língua Grega III

FLC0212 Língua Grega IV

FLC0132 Língua Grega: Morfossintaxe dos Modos Verbais

FLC0134 Língua Grega: Os Modos da Frase Grega

FLC0213 Língua Grega V

FLC0133 Língua Grega: Sintaxe das Orações Subordinadas

FLC0135 Língua Grega: Exercícios de Tradução FLC0214 Língua Grega VI

FLC0124 Épica Grega: Homero

FLC0125 Poemas Hesiódicos

FLC0126 Lírica Grega

FLC0127 Teatro Grego

FLC0128 Diálogo Platônico

FLC0129 Historiografia Grega

 

 


 

 

Latim

 

 

Disciplinas de Estudos Linguísticos

Disciplinas de Estudos Literários

 

FLC0140 Língua Latina I

FLC0141 Língua Latina II

FLC0245 Língua Latina III

FLC0246 Língua Latina IV

FLC0248 Língua Latina VI

FLC0244 Língua Latina: Morfossintaxe

FLC0257 Literatura Latina: Elegia

FLC0352 Literatura Latina: Teatro

FLC0452 Literatura Latina: Épica

FLC0353 Literatura Latina: Lírica

FLC0247 Língua Latina V

FLC1256 Literatura Latina: História da Literatura ou Historiografia

FLC0456 Laboratório de Tradução de Textos Latinos

FLC1454 Literatura Latina: Epistolografia ou Sátira

 

As disciplinas divididas nesses dois grandes grupos, estudos linguísticos e estudos literários, têm especificidades que merecem destaque. As de estudos literários têm como eixo comum a discussão dos gêneros do discurso na Antiguidade Clássica. Essa discussão possibilita a introdução ao estudo da tradição das Literaturas Modernas, da diferença das linguagens literárias moderna e antiga, além de destacar as apropriações modernas dos gêneros antigos. Além disso, as disciplinas de Literatura Latina discutem os seguintes gêneros, um para cada semestre: épica, lírica, sátira e epistolografia, teatro (tragédia e comédia) e elegia. Em cada semestre apresentam-se o histórico da constituição do gênero, o modelo do gênero e as apropriações modernas do gênero. Modelo semelhante é seguido pelas disciplinas que compõem os 6 módulos, um para cada semestre: épica, poemas hesiódicos, teatro, diálogo platônico, historiografia, lírica. As disciplinas de língua têm como objetivo apresentar uma descrição gramatical do Grego e do Latim e uma metodologia de leitura, comentário e tradução dos textos antigos. Esses objetivos possibilitam discutir elementos da transformação do Latim nas Línguas Românicas, principalmente o Português e, a partir do Grego e do Latim, discutir os conceitos gramaticais envolvidos na descrição e ensino das línguas e as várias teorias e práticas modernas de tradução. As disciplinas “Laboratório de tradução de textos latinos” e “Tópicos especiais em Língua Grega I” articulam de modo explícito os estudos linguísticos e literários, uma vez que nelas aparece o trabalho com os textos prescritivos antigos sobre a Retórica e a Poética e a ênfase especial recai na discussão sobre a tradução, as teorias antigas e as teorias modernas, as várias escolas de tradução de textos clássicos, principalmente para o Português.

Vale ressaltar aqui que as disciplinas de Sânscrito não constituem mais uma habilitação, mas são disciplinas optativas muito importantes, para que os estudantes compreendam a constituição das línguas indo-europeias e da cultura correspondente. Não podemos esquecer-nos de que o conhecimento do sânscrito foi fundamental, para que se descobrisse a existência de uma proto-língua que foi denominada Indo-europeu.

 


 

            Habilitação em Linguística

 

A habilitação em Linguística se desenvolve em seis semestres nos quais o aluno se aprofunda nos cinco grandes objetos teóricos que constituem o campo de investigação sobre a linguagem: langue (componentes fonológico, morfológico, sintático, semântico); competência; variação; mudança e uso.

Tendo feito o curso de Elementos de Linguística I e II, o aluno vai aprofundar-se nos diversos objetos teóricos introduzidos por aquelas disciplinas iniciais. Dessa maneira, no intuito de capacitar o aluno a descrever e explicar as formas e funções das línguas naturais a partir de diferentes perspectivas teóricas, a habilitação em Linguística se organiza do seguinte modo:

1)         para cada objeto teórico, há uma disciplina:

a)         sistema linguístico e competência linguística (uma disciplina para cada nível de descrição): Fonética, Fonologia, Morfologia, Sintaxe, Lexicologia e Lexicografia, Semântica;

b)         variação e significados sociais dos usos linguísticos: Sociolinguística;

c)         mudança linguística: Linguística Histórica;

d)         uso linguístico: Pragmática; Teorias e Análise do Texto

2)         para tratar das questões relativas aos processos de aquisição da linguagem: Psicolinguística;

3)         para que o aluno tenha uma experiência analítica mais ampla, deverá fazer um curso sobre uma língua não indo-europeia (Indígena ou Africana), um curso sobre Semiótica (verbal e não-verbal), e um curso sobre uma língua de sinais. Para que o aluno adquira uma perspectiva crítica dos processos de produção e recepção do conhecimento em ciências da linguagem, deverá cursar Historiografia Linguística.

4)         Além dessas disciplinas oferecidas pelo Departamento de Linguística, o aluno do curso de bacharelado em Linguística deverá obrigatoriamente fazer também as disciplinas Língua Portuguesa, Língua Latina, Literatura Brasileira e Literatura Portuguesa, oferecidas pelo Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. 

 

 

 

 

A habilitação em Linguística requer, portanto, as seguintes disciplinas:

Disciplinas Obrigatórias

Disciplinas Optativas Livres ou Eletivas

 

Introdução ao Latim I e II

Filosofia para Linguística

Literatura Brasileira I e II

O estudo linguístico do significado

Fonética e Fonologia do Português

Seminários de teoria linguística

Literatura Portuguesa I e II

Fonologia: modelos teóricos

Fonética Acústica e Articulatória

Tópicos em aquisição fonológica

Fonologia: descrição e análise

Sociolinguística

Morfologia

Fonética Experimental

Linguística Histórica

Historiografia Linguística

Sintaxe: fundamentos da análise e descrição sintáticas

A linguística das línguas de sinais

Língua não indoeuropeia I e II

Linguística Histórica II: os domínios da mudança

Teoria e Análise de Textos: semiótica narrativa e discursiva

Sistemas de Escrita

Lexicologia e Lexicografia

Tópicos em teoria sintática

Pragmática

Aquisição de sintaxe e semântica

Semântica

Léxico: conceitos e suas extensões

Sociolinguística Variacionista

Teoria e Análise de Textos: semiótica aplicada

Psicolinguística

A formação das línguas românicas

 

Teoria e Análise de Textos: análise do discurso

 

Linguística Computacional

Teoria Literária I e II,

Correntes Críticas I e II

Literatura Comparada I e II.

 

 

Bacharelado com Licenciatura

 

O Bacharelado com Licenciatura em Letras tem uma grade curricular que prevê maior flexibilização na oferta de disciplinas para possibilitar ao discente formação interdisciplinar que vá além da especificidade de sua área de interesse. Isso permite que os alunos que optem por uma habilitação única possam realizar as disciplinas de Licenciatura simultaneamente  e concluir o curso em 8 semestres. Os alunos que optam pela dupla habilitação em Português e uma Língua Estrangeira do Departamento de Letras Modernas ou do Departamento de Letras Orientais, podem também cursar disciplinas de Licenciatura simultaneamente, e concluir seus cursos em 10 semestres.

 

a)      Disciplinas optativas eletivas:

FLC 0600 Língua, Discurso e Ensino

FLC 0601 Ensino de Literatura Brasileira

FLC 0602 Literatura Portuguesa: Ensino-Aprendizagem

FLC 0603 Diversidade Cultural e Educação: as Literaturas de Língua Portuguesa

FLM 0640 Aquisição/Aprendizagem do Alemão como Língua Estrangeira

FLM 0647 Aquisição/Aprendizagem do Espanhol como Língua Estrangeira

FLM 0653 Aquisição/Aprendizagem do Francês como Língua Estrangeira

FLM 0661 Abordagens Críticas e o Ensino de Literatura

FLM 0666 Ensino e Aprendizagem da Língua Italiana

FLT 0344 Literatura e Educação

FLL1005 A Linguística na Educação Básica

 

b) Disciplinas obrigatórias:

Atividades de Estágio (Licenciatura em Letras)

 

As disciplinas que compõem o Bacharelado com Licenciatura oferecidas pelo Curso de Letras têm por objetivo:

a) propor a reflexão dos processos de ensino-aprendizagem de línguas e literaturas vernáculas e estrangeiras a partir de uma perspectiva intercultural;

b) preparar e aplicar o material em laboratórios didáticos específicos que criam espaços de reflexão teórica a partir da prática pedagógica supervisionada;

c) desenvolver atividades de ensino e pesquisa.

 

Os quadros em que constam os conjuntos de disciplinas de cada um dos cursos de Bacharelado com Licenciatura do Curso de Letras encontram-se no final deste documento.

Os alunos do Bacharelado com Licenciatura devem cumprir estágios obrigatórios na disciplina Atividades de Estágio, oferecida pelo Curso de Letras, e nas disciplinas da Licenciatura que tenham o componente de estágio, oferecidas pela Faculdade de Educação. Além desses estágios obrigatórios, todos os alunos de Letras, bacharelandos e licenciandos, têm a possibilidade de realizar estágios não obrigatórios, descritos a seguir.

 

Observações gerais sobre as habilitações

 

 

            Estágio não obrigatório 

 

 

O Curso de Letras tem dentre suas metas permitir ao seu corpo discente a realização de estágios não obrigatórios.  As atividades previstas para o estagiário devem ser pertinentes ao curso de origem do aluno e visam a proporcionar ao estudante experiências úteis para sua formação intelectual geral e oportunidades para a aplicação do conhecimento adquirido ao longo do curso, contribuindo para o seu aperfeiçoamento técnico-cultural, científico e de relacionamento social. Devem ter o intuito de complementar a formação por meio de vivência de experiências próprias da situação profissional, ainda que sem previsão expressa no respectivo currículo do aluno. O estágio deve respeitar as regras estabelecidas por lei federal e estarem de acordo com os modelos aprovados pela Faculdade.

 

 

Avaliação

 

A avaliação não deve incidir sobre elementos que possam ser memorizados, mas todo o processo avaliatório deve centrar-se na verificação da capacidade de o estudante refletir sobre fatos de linguagem, analisando-os, descrevendo-os e interpretando-os.

 

 


VII. DO SIGNIFICADO SOCIAL DAS HABILITAÇÕES EM LETRAS

 

                                               E enquanto o fero canto ecoar na mente

                                               Da estirpe que em perigos sublimados

                                               Plantou a cruz em cada continente

                                               Não morrerá sem poetas nem soldados

                                               A língua em que cantaste rudemente

                                               As armas e os barões assinalados

                                                           Manuel Bandeira

 

Minha pátria é minha língua

                                                           Fernando Pessoa

 

La littérature est l’expression de la société, comme la parole est l’expression de l’homme.

            Louis de Bonald          

 

Os cursos de Letras têm um alcance cultural. Cultura significa etimologicamente cultivo e preservação. Cabe à Universidade de São Paulo, de um lado, preservar os bens culturais expressos nas línguas e nas literaturas, bem como cultivá-los por meio da pesquisa. As habilitações em Letras Clássicas preservam e cultivam o patrimônio cultural, que está na base da cultura do Ocidente. Todas as outras habilitações preservam e cultivam patrimônios culturais, que nos fazem refletir sobre a nossa própria cultura. A preservação e o cultivo dos bens culturais têm um papel civilizador importante: ajudam a tornar o homem mais humano. Esse não é um papel menor no mundo de hoje, marcado por uma violência muito grande. Cada literatura que se deixa de estudar, cada língua que não se oferece aos alunos representa uma perda grande de uma maneira de ver o mundo, de analisar as experiências, de explicar os fenômenos físicos, históricos e psíquicos. Cabe à Universidade de São Paulo esse papel cultural de preservar e de cultivar essas diferentes visões de mundo expressas nas línguas e nas literaturas. Já dizia Hjelmslev, no primeiro capítulo dos Prolegômenos a uma teoria da linguagem:

 

“A linguagem – a fala humana – é uma inesgotável riqueza de múltiplos valores. A linguagem é inseparável do homem e segue-o em todos os seus atos. A linguagem é o instrumento graças ao qual o homem modela seu pensamento, seus sentimentos, suas emoções, seus esforços, sua vontade e seus atos, o instrumento graças ao qual ele influencia e é influenciado, a base última e mais profunda da sociedade humana. Mas é também o recurso último e indispensável, seu refúgio nas horas solitárias em que o espírito luta com a existência, e quando o conflito se resolve no monólogo do poeta e na meditação do pensador. Antes mesmo do primeiro despertar de nossa consciência, as palavras já ressoavam a  nossa volta, prontas para envolver os primeiros germes frágeis de nosso pensamento e a nos acompanhar inseparavelmente através da vida, desde as mais humildes ocupações da vida cotidiana aos momentos mais sublimes e mais íntimos dos quais a vida de todos os dias retira, graças às lembranças encarnadas pela linguagem, força e calor. A linguagem não é um simples acompanhante, mas sim um fio profundamente tecido na trama do pensamento; para o indivíduo, ela é o tesouro da memória e a consciência vigilante transmitida de pai para filho. Para o bem e para o mal, a fala é a marca da personalidade, da terra natal e da nação, o título de nobreza da humanidade. O desenvolvimento da linguagem está tão inextricavelmente ligado ao da personalidade de cada indivíduo, da terra natal, da nação, da humanidade, da própria vida, que é possível indagar-se se ela não passa de um simples reflexo de tudo isso ou se ela não é tudo isso. (...) É por isso que a linguagem cativou o homem enquanto objeto de deslumbramento e de descrição, na poesia e na ciência.” (São Paulo, Perspectiva, 1977, p. 8-9)


 

VIII. PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E INICIAÇÃO CIENTÍFICA

                                  

            Eu não creio nas coisas; só creio nas relações entre elas.

                                   Braque

 

O alcance e as funções da Área de Letras da USP não se esgotam no Bacharelado em Letras. Forma, na Pós-graduação, professores universitários, trabalha na capacitação continuada de professores do ensino fundamental e médio, organiza o ensino de línguas estrangeiras para brasileiros da comunidade acadêmica ou não, o ensino de português para estrangeiros que vêm fazer cursos de graduação ou de pós-graduação na USP, ministra cursos de redação acadêmica em língua estrangeira para alunos e professores da Universidade, atua na difusão cultural, promove a iniciação científica de seus graduandos, etc.

As atividades de ensino da graduação articulam-se com as atividades da Pós-graduação stricto sensu, que levam à formação de mestres e doutores. A área de Letras possui 14 Programas de Pós-graduação credenciados e 2 em fase de credenciamento. Os primeiros são: Linguística; Teoria Literária e Literatura Comparada; Filologia e Língua Portuguesa; Literatura Brasileira; Literatura Portuguesa; Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa; Letras Clássicas; Língua Inglesa e Literaturas Inglesa e Norte-Americana; Língua e Literatura Francesa, Língua e Literatura Italiana; Língua e Literatura Alemã; Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana; Língua Hebraica e Literatura e Cultura Judaica; Língua, Literatura e Cultura Japonesa  Estão em fase de credenciamento os programas de Língua, Literatura e Cultura Árabe e Língua, Literatura e Cultura Russa. Na última avaliação da CAPES (2010), numa escala de 1 a 7, os Programas obtiveram as seguintes notas:

7 (excepcional) – Linguística; Literatura Brasileira;

6) (excelente)  – Estudos Linguísticos e Literários em Inglês; Teoria Literária e Literatura Comparada;

5 (muito bom) – Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa; Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos em Francês; Filologia e Língua Portuguesa; Letras Clássicas; Língua e Literatura Alemã; Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana;

4 (bom) – Literatura Portuguesa; Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaica; Língua, Literatura e Cultura Italianas; Língua, Literatura e Cultura Japonesa; Língua, Literatura e Cultura Árabe; Literatura e Cultura Russa.

Como se vê, todos os Programas de Letras da USP foram avaliados com o conceito bom, muito bom, excelente ou excepcional. Esses Programas já formaram mestres e doutores, que atuam em diferentes Universidades de todo o território nacional. Nenhuma Instituição brasileira formou tantos mestres e doutores na área de Letras como a Universidade de São Paulo.

As atividades de extensão estão voltadas, primacialmente para os professores da rede pública do ensino fundamental e médio, com a finalidade de oferecer-lhes a oportunidade de uma formação continuada, e às pessoas da comunidade acadêmica ou não que necessitam ou querem aprender uma língua estrangeira. São oferecidos para os primeiros, dentro do projeto Experiências de leitores; experiências de leitura, cursos sobre produção e leitura de textos no ensino fundamental e médio e, em outros projetos, cursos sobre descrição do Português e sobre teorias do discurso e ensino. São ministrados, a partir da década de 80, de cursos de língua instrumental para alunos de outros campos do saber que necessitam da língua estrangeira como instrumento de compreensão de bibliografia especializada. Levando em conta o jargão básico e estruturas recorrentes das diferentes linguagens específicas são desenvolvidas técnicas e estratégias que capacitam o aluno para a leitura e intelecção de  textos técnicos nas diversas línguas estrangeiras. Essa tarefa está hoje a cargo do Centro de Línguas, um dos núcleos coordenados por docentes do Departamento de Letras Modernas e do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. Esse Centro desenvolve ainda atividades de ensino de Português para os estudantes estrangeiros que acorrem à Universidade de São Paulo para realizar seus estudos.

Cabe mencionar, a partir da década de 90, a oferta à comunidade de cursos de línguas estrangeiras no campus. Esse ensino de língua destina-se à comunidade acadêmica, de maneira geral, e ao público externo, com aulas ministradas por monitores-bolsistas das diversas áreas, recrutados por meio de processo seletivo dentre os alunos de pós-graduação. Esses monitores participam de um projeto de pesquisa no campo do ensino e aprendizagem e trabalham orientados pelos diversos coordenadores do ensino no campus.

No que respeita à Tradução, a oferta sistemática de cursos e oficinas, sobretudo por intermédio do Centro Interdepartamental de Tradução e Terminologia (CITRAT-DLM), tem levado à comunidade a experiência de resultados de pesquisas realizadas em nível de pós-graduação. Desse modo, atende-se à demanda de um público externo e interno que busca a Universidade para atualizar seus conhecimentos em domínios específicos.

No âmbito das Letras Clássicas, há cursos regulares de difusão cultural, articulados às disciplinas de graduação e abertos à comunidade, nas áreas de língua: Introdução ao Latim I a IV (45h cada) e Introdução à Língua Grega I a IV (45h cada). Além disso, a cada semestre letivo há uma programação especial de cursos de difusão, abordando os vários aspectos das chamadas Literaturas Clássicas.

             Para os estudantes que revelam interesse pela pesquisa e pendor para ela, há o Programa de Iniciação Científica. É um processo formativo, cuja eficiência está assentada na garantia de uma orientação segura e individualizada por parte de um docente-pesquisador experiente e qualificado.

            A iniciação científica é uma prática mais intensiva da busca e construção do conhecimento. A IC é, antes de mais nada, um tempo de formação das habilidades básicas indispensáveis ao pesquisador: capacidade de manuseio da informação científica acumulada nas bibliotecas e nos bancos de dados; boa redação e apresentação de textos científicos em português e línguas estrangeiras; aptidão para transformar vagas intenções ou intuições em problemas a serem estudados; habilidade para seleção adequada da informação; capacidade de estabelecimento de hipóteses; aperfeiçoamento do espírito crítico, seja para criticar, seja para aceitar críticas; busca e consolidação de conhecimentos necessários à complementação da formação. O aluno aprende aí a preparar um projeto de pesquisa, um relatório, etc. A IC assegura ao estudante um processo de amadurecimento e de diferenciação individual,    de tal modo que ele seja capaz de, inclusive, buscar as fontes do conhecimento que não domina.

            O Curso de Letras conta com bolsistas de IC distribuídos nos diversos programas, sendo o principal deles o PIBIC financiado pelo CNPq.

            Os melhores alunos são convidados para atividades de monitoria, nas quais assistem os professores em seus cursos, ajudam os outros alunos a realizar atividades práticas.

 

 

 

 


Quadros do conjunto de disciplinas do Bacharelado com Licenciatura

 

Quadro I: Habilitação em Português

1.      Bacharelado com licenciatura – Língua Portuguesa

Disciplinas de Estudos Linguísticos

Disciplinas de Estudos Literários

Disciplinas de Educação

 

 

 

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Introdução ao estudo da língua portuguesa I e II

Introdução aos Estudos Literários I e II

Política e organização da educação básica no Brasil.

Fonética e Fonologia do Português.

Literatura Brasileira  de I a IV

Didática.

Morfologia do Português I.

Literatura Portuguesa de I a IV

Metodologia do ensino de português I e II.

Sintaxe do Português I.

 

Metodologia do ensino de francês I e II.

Filologia Portuguesa

 

Metodologia do ensino de inglês I e II.

Teorias do Texto-Enunciação, Discurso e Texto.

 

Metodologia do ensino de alemão I e II.

Introdução o latim I e II.

 

Metodologia do ensino de latim I e II.

 

 

 

 

Metodologia do ensino de italianao I e II.

Metodologia do ensino de espanhol I e II.

Metodologia do ensino de linguística I e II.

Atividades de estágio (licenciatura em Letras).

Atividades Acadêmico-científico-culturais de I a V.

 

Eletivas:

Eletivas:

Eletivas:

Língua grega I, II, III e IV.

Teoria Literária I e II,

Correntes Críticas I e II

Literatura Comparada I e II.

Introdução aos estudos da educação: enfoque filosófico.

Língua latina III e IV.

Literatura e Educação

Introdução aos estudos da educação: enfoque histórico.

 Filologia Românica I e II

Introdução aos Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa I e II.

Introdução aos estudos da educação: enfoque sociológico.

 Fonologia: descrição e análise

Literatura Infantil e Juvenil: linguagens do imaginário I e II.

Práticas escolares, contemporaneidade e processos de subjetivação

 Morfologia

Literaturas Africanas de Língua Portuguesa de I a IV.

 

 Sintaxe: fundamentos da análise e descrição sintáticas.

Poemas Hesiódicos.

Práticas escolares: diversidade, subjetividade

A Psicologia Histórico-cultural e a compreensão do fenômeno educacional.

Língua não indoeuropeia I e II                    

Teatro Grego.

Psicologia da educação: Uma abordagem psicossocial do cotidiano

 

Historiografia Grega.

A psicanálise, educação e cultura.

Teoria e análise de textos: semiótica narrativa e discursiva.

Literatura Latina: Teatro

 

Lexicologia e lexicografia.

Literatura latina:Lírica.

 

Pragamática

Literatura Latina: Epistolografia ou Sátira.

 

Semântica

Literatura Latina: Elegia.

 

Sociolinguística variacionista.

Literatura latina: Épica.

 

Psicolinguística.

Literatura latina: História da Literatura ou Historiografia.

 

Língua, discurso e ensino.

Lírica Grega.

 

Ensino de literatura brasileira.

Diálogo Platônico.

 

Literatura portuguesa: ensino-aprendizagem.

Diversidade cultural e educação: as literaturas de língua portuguesa em perspectiva.

A linguística na educação básica.

Épica Grega: Homero.

 

Aquisição/aprendizagem do alemão como língua estrangeira

Ensino de literatura brasileira.

 

Aquisição/aprendizagem do francês como língua estrangeira

Literatura portuguesa: ensino-aprendizagem.

 

Ensino e aprendizagem da língua italiana.

Diversidade cultural e educação: as literaturas de língua portuguesa.

 

 

Abordagens crítias e o ensino de literatura.

 

 

Literatura e educação.

 

 

 

Quadro II – Habilitação em Alemão

2.      Bacharelado com Licenciatura

 

Disciplinas de Estudos lingüísticos

Disciplinas de Estudos literários

Disciplinas de Estudos tradutológicos

Disciplinas de Licenciatura

Obrigatórias

Obrigatórias

Obrigatórias

Obrigatórias

Língua alemã I

Lit. alemã: conto e lírica

Introdução à tradução do alemão

Atividades de estágio (Alemão) (Licenciatura em Letras) (FFLCH)

Língua alemã II

Lit. alemã: romantismo e classicismo

 

Política e organização da educação básica no Brasil (FE-USP)

Língua alemã III

Lit. alemã: república de Weimar/ Lit. contemporânea

 

Didática (FE-USP)

Língua alemã IV

História da literatura alemã

 

Metodologia do ensino de alemão I (FE-USP)

Língua alemã V

 

 

Metodologia do ensino de alemão II (FE-USP)

Introdução à lingüística alemã I

 

 

 

Introdução à lingüística alemã II

 

 

 

Eletivas

Eletivas

Eletivas

Eletivas

Tópicos de linguística alemã

Lit. alemã: novela e teatro

Linguística contrastiva (alemão/português)

Aquisição/aprendizagem de alemão como língua estrangeira (FFLCH)

Produção e recepção de textos I

 

Tradução comentada do alemão I

Introdução aos estudos da educação: enfoque filosófico (FE-USP)

Produção e recepção de textos II

 

Tradução comentada do alemão II

Introdução aos estudos da educação: enfoque histórico  (FE-USP)

 

 

Tradução: teoria e prática (alemão/português)

Introdução aos estudos da educação: enfoque sociológico (FE-USP)

 

 

 

Práticas escolares, contemporaneidade e processos de subjetivação (FE-USP)

 

 

 

Práticas escolares: diversidade, subjetividade

A Psicologia Histórico-cultural e a compreensão do fenômeno educacional (FE-USP)

 

 

 

Psicologia da educação: Uma abordagem psicossocial do cotidiano (FE-USP)

 

 

 

A psicanálise, educação e cultura (FE-USP)

Livres

Livres

Livres

Livres

Fonologia e fonética alemã

Introdução à literatura alemã

Introdução aos estudos tradutológicos

 

Gramática da língua alemã

Cultura e civilização dos países de língua alemã I

 

 

Análise contrastiva do alemão

Cultura e civilização dos países de língua alemã II

 

 

Leitura e compreensão de textos acadêmicos

Tópicos especiais da literatura alemã: Os Nibelungos

 

 

Conversação em Língua Alemã I

Literatura Alemã e Cinema

 

 

Conversação em Língua Alemã II

 

 

 

 

 

Quadro III – Habilitação em Espanhol

3. Bacharelado com Licenciatura em Espanhol

Disciplinas de Estudos Linguísticos

Disciplinas de Estudos Literários

Disciplinas de Estudos Tradutológicos

Disciplinas de Licenciatura

 

 

 

 

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Língua Espanhola I a III

Prosa, poesia e ensaio na Literatura Espanhola contemporânea

 

Política e organização da educação básica no Brasil (FE-USP)

Práticas Orais em Língua Espanhola

Narrativa Breve Hispano-Americana

 

Didática (FE-USP)

Argumentação e Sintaxe em Língua Espanhola

Literatura Espanhola: Idade Média

 

Metodologia do ensino de espanhol I e II (FE-USP)

Prática de Escrita em Língua Espanhola

Literatura Hispano-Americana: Discursos da Conquista

 

Atividades de Estágio (Espanhol) (Licenciatura em Letras)

(FFLCH)

Tópicos Contrastivos Acerca do Funcionamento da Língua Espanhola e do Português Brasileiro

Literatura Espanhola: Século XVI

 

 

 

Literatura Hispano-Americana: Estudos Coloniais

 

 

 

Literatura Espanhola: Século XVII

 

 

 

Literatura Hispano-Americana: Romantismo e “Modernismo”

 

 

 

Literatura Espanhola: Século XIX

 

 

 

Literatura Espanhola: Século XX

 

 

 

Vanguardas Latino-Americanas

 

 

 

Literatura Hispano-Americana Contemporânea

 

 

 

 

 

 

Eletivas:

Eletivas:

Eletivas:

Eletivas:

Variedade e Alteridade na Língua Espanhola

Leituras Específicas da Literatura Hispano-Americana

Introdução aos Estudos Tradutológicos

Introdução aos estudos da educação: enfoque filosófico (FE-USP)

 

Leituras Específicas da Literatura Espanhola

Introdução à Prática de Tradução do Espanhol

Introdução aos estudos da educação: enfoque histórico (FE-USP)

 

 

 

Introdução aos estudos da educação: enfoque sociológico (FE-USP)

 

 

 

 

 

 

 

Práticas escolares, contemporaneidade e processos de subjetivação (FE-USP)

 

 

 

Práticas escolares: diversidade, subjetividade (FE-USP)

A Psicologia Histórico-cultural e a compreensão do fenômeno educacional (FE-USP)

 

 

 

Psicologia da educação: Uma abordagem psicossocial do cotidiano (FE-USP)

 

 

 

A psicanálise, educação e cultura (FE-USP)

 

 

 

 

Literaturas Hispânicas: processos históricos e perspectivas teórico-críticas (FFLCH)

 

 

 

 

Livres

Livres

Livres

Livres

 

 

Tradução Comentada do Espanhol I e II

 

 

 

Análise Contrastiva para Tradução Português/Espanhol

 

 


Quadro IV – Habilitação em Francês

4. Bacharelado com Licenciatura em Francês

Disciplinas de Estudos Linguísticos

Disciplinas de Estudos Literários

Disciplinas de Estudos Tradutológicos

Disciplinas de Licenciatura

 

 

 

 

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Língua Francesa I a VII

Introdução à Literatura Francesa

 

Política e organização da educação básica no Brasil (FE-USP)

 

Narrativa Francesa

 

Didática (FE-USP)

 

Poesia Francesa I e II

 

Metodologia do ensino de francês I e II (FE-USP)

 

Romance Francês I e II

 

Atividades de Estágio (Francês) (Licenciatura em Letras) (FFLCH)

 

Teatro Francês

 

 

 

Monografia

 

 

 

 

 

 

Eletivas:

Eletivas:

Eletivas:

Eletivas:

 

Relações Literárias Brasil-França

Introdução aos Estudos Tradutológicos

Introdução aos estudos da educação: enfoque filosófico (FE-USP)

 

Literaturas de Expressão Francesa I e II

Introdução à Prática da Tradução do Francês

Introdução aos estudos da educação: enfoque histórico (FE-USP)

 

Perspectiva da Crítica Francesa

 

Introdução aos estudos da educação: enfoque sociológico (FE-USP)

 

 

 

Práticas escolares, contemporaneidade e processos de subjetivação (FE-USP)

 

 

 

Práticas escolares: diversidade, subjetividade (FE-USP)

A Psicologia Histórico-cultural e a compreensão do fenômeno educacional (FE-USP)

 

 

 

Psicologia da educação: Uma abordagem psicossocial do cotidiano (FE-USP)

 

 

 

A psicanálise, educação e cultura (FE-USP)

 

 

 

Aquisição/Aprendizagem do Francês como Língua Estrangeira (FFLCH)

 

 

Livres:

Livres:

Fundamentos da Crítica Francesa

Análise Contrastiva do Francês

A Escrita Literária

Tradução Comentada I e II

 

 

Quadro V – Habilitação em Inglês

5. Bacharelado com Licenciatura em Inglês

Disciplinas de Estudos Linguísticos

Disciplinas de Estudos Literários

Disciplinas de Estudos Tradutológicos

Disciplinas de Licenciatura

 

 

 

 

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Comunicação Escrita 1 e 2

Introdução à Prosa

 

Política e organização da educação básica no Brasil (FE-USP)

Fonologia 1 e 2

Movimentos do Teatro

 

Didática (FE-USP)

Comunicação Oral 1 e 2

Introdução à Poesia

 

Metodologia do ensino de inglês I e II (FE-USP)

Discurso 1 e 2

Movimentos da Poesia

 

Atividades de Estágio (Inglês) (Licenciatura em Letras) (FFLCH)

Língua e Cultura 1 e 2

Leituras do Cânon 1 a 3

 

 

Tópicos de Semântica

Shakespeare: Obra e Crítica

 

 

Tópicos de Gramática

Literatura e Diferença

 

 

Tópicos de Pesquisa em Língua Inglesa

Literatura e Cinema

 

 

 

Estudos de Cultura

 

 

 

 

 

 

Eletivas:

Eletivas:

Eletivas:

Eletivas:

Tópicos de Escrita

Tópicos da Poesia

Introdução aos Estudos Tradutológicos

Introdução aos estudos da educação: enfoque filosófico (FE-USP)

 

Tópicos do Romance

Introdução à Prática de Tradução do Inglês

Introdução aos estudos da educação: enfoque histórico (FE-USP)

 

Tópicos do Teatro

Livres:

Introdução aos estudos da educação: enfoque sociológico (FE-USP)

 

 

Análise Contrastiva do Inglês

Tradução Comentada do Inglês I

Tradução Comentada do Inglês II

Práticas escolares, contemporaneidade e processos de subjetivação (FE-USP)

 

 

 

Práticas escolares: diversidade, subjetividade (FE-USP)

A Psicologia Histórico-cultural e a compreensão do fenômeno educacional (FE-USP)

 

 

 

Psicologia da educação: Uma abordagem psicossocial do cotidiano (FE-USP)

 

 

 

A psicanálise, educação e cultura (FE-USP)

 

 

 

Abordagens Críticas da Literatura (FFLCH)

 


Quadro VI – Habilitação em Italiano:

6. Bacharelado com Licenciatura

Disciplinas de Estudos Linguísticos

Disciplinas de Estudos Literários

Disciplinas de Estudos Tradutológicos

Disciplinas de Licenciatura

 

 

 

 

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Obrigatórias:

Língua Italiana I a VII

Tópicos de Literatura Italiana I: Das origens ao Renascimento

 

Política e organização da educação básica no Brasil (FE-USP)

 

Tópicos de Literatura Italiana II: Do Barroco ao Renascimento

 

Didática (FE-USP)

 

Tópicos de Literatura Italiana III: Verismo ao Neo-realismo

 

Metodologia do ensino de italiano I e II (FE-USP)

 

O Século XX

 

Atividades de Estágio (Italiano) (Licenciatura em Letras) (FFLCH)

 

Literatura Italiana II: Poesia e Prosa nos Séculos XVIII e XIX.

 

 

 

Tratados da Renascença Italiana

 

 

 

Literatura da Renascença

 

 

 

Literatura Italiana das Origens

 

 

 

Literatura Medieval: Dante, Petrarca e Boccaccio

 

 

 

 

 

 

Eletivas:

Eletivas:

Eletivas:

Eletivas:

Compreensão e Produção Oral em Italiano

Italo Calvino e Outros Narradores do Século XX

Introdução aos Estudos Tradutológicos

Introdução aos estudos da educação: enfoque filosófico (FE-USP)

Compreensão e Produção Escrita em Italiano

Teoria Literária I e II,

Correntes Críticas I e II

Literatura Comparada I e II.

Tradução: Teoria e Prática

Introdução aos estudos da educação: enfoque histórico (FE-USP)

Introdução à Linguística Italiana

 

Tradução Comentada do Italiano I e II

Introdução aos estudos da educação: enfoque sociológico (FE-USP)

 

 

 

Práticas escolares, contemporaneidade e processos de subjetivação (FE-USP)

 

 

 

Práticas escolares: diversidade, subjetividade (FE-USP)

A Psicologia Histórico-cultural e a compreensão do fenômeno educacional (FE-USP)

 

 

 

Psicologia da educação: Uma abordagem psicossocial do cotidiano (FE-USP)

 

 

 

A psicanálise, educação e cultura (FE-USP)

 

 

 

Aquisição/Aprendizagem do italiano como Língua Estrangeira (FFLCH)